sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

I Congresso do Grupo de Estudos Históricos da Baixada Fluminense

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sediará, entre os dias 11 e 12 de abril de 2014, no campus Nova Iguaçu, o I Congresso do Grupo de Estudos Históricos da Baixada Fluminense. O evento contará com a presença de professores, graduandos e pós-graduandos da área de História e visa ao fomento do debate entre as produções acadêmicas e o ensino de história, bem como o esboço de perspectivas para novas pesquisas nesse campo.



Para maiores informações, acessem: http://estacaobaixadagehbaf.wordpress.com/

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Exposição da pesquisa na VIII Semana de História Política da UERJ encerra nossas apresentações em eventos nesse profícuo 2013

Às 14h da última quarta-feira (13/11/2013), a comunicação intitulada "'Dilemas da subjetividade contemporânea': um estudo sobre as memórias queimadenses" foi apresentada pela Profª. Mestranda Claudia Costa, no simpósio temático História do Tempo Presente e Memória, sob a coordenação do Prof. Dr. Rafael Pinheiro de Araújo (UNILASALLE). Esse simpósio integrou a programação da VIII Semana de História Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, um evento organizado por alunos do mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em História dessa instituição (PPGH/UERJ). O evento conta com a participação de docentes e discentes de cursos de graduação e programas de pós-graduação de todo o Brasil, e busca fomentar as discussões acadêmicas sobre os variados temas que vêm sendo pesquisados em tais instituições.
Tendo em vista essa proposta, a comunicação apresentada pela professora Claudia objetivou
A professora Claudia Costa, mestranda do
Programa de Pós-Graduação em História da UERJ,
discute aspectos das memórias queimadenses.
identificar e debater alguns aspectos das 
memórias queimadenses, no contexto do crescimento experimentado pela cidade, notadamente a partir da última década. Nesse sentido, a professora Claudia construiu suas indagações, tomando como ponto de partida o desconforto revelado pelas falas de muitos entrevistados que cederam seus depoimentos para fins de pesquisa, diante da ideia de modernização acelerada.  Baseando-se em Elizabeth Jelin, a professora Claudia argumenta que o crescente interesse, verificado entre os depoentes que procuram compartilhar suas memórias, guarda em si, o desejo de "resposta ou reação, diante das mudanças rápidas e de uma vida sem âncoras ou raízes" (JELIN, 2002: 9). Nesse sentido, constatamos que a preocupação de muitos queimadenses, especialmente àqueles cujas trajetórias de vida se caracterizaram pela maior atuação na esfera pública, introduz questões como a importância das memórias para a escrita da história, a patrimonialização cultural e a dívida do presente com o passado (PEREIRA e MATA, 2012: 20-21).
Ao final das apresentações, abriu-se o debate, onde houve a oportunidade para a abordagem mais ampla de todo o trabalho que desenvolvemos ao longo dos últimos anos. Esse trabalho, do qual essa pesquisa de mestrado é apenas uma das faces, visa fomentar as reflexões sobre a historicidade de Queimados, as possibilidades para a escrita de sua história e as interfaces estabelecidas com o ensino da história local nas escolas da cidade.
Profª. Mestranda Fabíola Amaral (USS), Prof. Dr. Rafael 
Araújo (UNILASALLE) e Profª. Mestranda Claudia
Costa (UERJ): debate.

domingo, 27 de outubro de 2013

Grupo de Pesquisa da PUC-Rio e o encontro com professores do CIEP Vereador Sebastião Portes: estreitando os laços entre a produção acadêmica e o Ensino de História

A professora Juçara Mello (PUC-Rio) inicia a apresentação
do projeto, a partir da discussão sobre "O que é memória?" 
Na tarde dessa sexta-feira (25/10), uma equipe do grupo de pesquisa sobre Patrimônio Cultural e Ensino de História foi ao CIEP Vereador Sebastião Portes, em Queimados, para um bate-papo com os docentes e equipe pedagógica sobre as possibilidades da Educação Patrimonial para o processo de ensino-aprendizagem de História. A equipe, sob a coordenação da professora Juçara Mello, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), desenvolve projeto fomentado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e conta com a participação de professores-pesquisadores da própria instituição, bem como da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Esses pesquisadores estão interessados em discutir as relações entre a produção historiográfica e o ensino de história e fomentar ações que possam estreitar os vínculos entre essas duas esferas de produção de conhecimento. Seguindo por essa perspectiva, a busca por uma parceria com um colégio de formação de professores, como o CIEP Vereador Sebastião Portes, se configura um desafio estimulante, no sentido de ampliar o debate entre a pesquisa, a formação docente de nível médio e a prática de ensino. Nesse encontro estiveram presentes, além da professora Juçara, a professora mestranda Claudia Costa (UERJ e Pesquisa Memória e História de Queimados) e os pesquisadores Ruberval Silva (PUC) e Davi Campino (PUC). Presença, também, do professor Nilson Henrique que, além de pesquisador da história de Queimados, foi responsável por mediar o contato entre o grupo de pesquisa e o colégio. 
A professora Claudia Costa aborda um pouco das tensões
que envolvem os diálogos entre memória e história, ao
longo da produção historiográfica.
Ao começar sua exposição, discutindo "o que é memória?" a partir de uma história infantil, a professora Juçara, que também é professora da rede pública estadual do Rio de Janeiro, propôs que todos refletissem sobre os usos da memória no cotidiano escolar. Para a historiografia, as relações entre memória e história nem sempre foram bem aceitas. Nesse sentido, a professora Claudia Costa complementou a fala da professora Juçara, ao abordar o debate acadêmico acerca das interações possíveis entre memória e história. Para isso, a professora Claudia mobilizou sua própria experiência enquanto professora da Educação Básica e pesquisadora da história de Queimados. Dessa forma, uma das propostas desse projeto é, a partir de experiências do alunado, suas práticas e afetividades, buscar um caminho que torne a relação entre professor e aluno, ensino e aprendizagem, mais instigante e produtiva.
A interação dos professores da unidade escolar foi o ponto alto do encontro. Ao compartilhar com o grupo de pesquisa, suas inquietações a respeito dos rumos que a Educação Básica vem tomando e suas experiências em sala de aula, os professores do CIEP Vereador Sebastião Portes se mostraram receptivos à proposta de trabalho enunciada pelo grupo de pesquisa sobre Patrimônio Cultural e Ensino de História.

Professores do CIEP Vereador Sebastião Portes colocam questões e
compartilham experiências, que são debatidas pela professora Juçara.

Ao finalizar o encontro, uma atividade foi proposta aos professores, procurando despertar as sensibilidades sobre os bens patrimoniáveis, tangíveis e intangíveis, a partir da observação/identificação de fotografias do município de Guapimirim. 

Professores de diversas áreas analisam as fotografias de Guapimirim:
atividade proposta ao final do encontro.

A oportunidade de analisar as imagens de Guapimirim, certamente contribuiu para que aguçasse em todos, a possibilidade de desenvolver trabalhos junto à comunidade escolar, com registros fotográficos de Queimados. O colégio e sua equipe docente foram contemplados, ainda, com a doação de três exemplares do livro "Memória Fotográfica da Baixada Fluminense", uma publicação do INEPAC que esboça um histórico geral dos municípios que integram a Baixada Fluminense, a partir de fotografias. 
Assim, esperamos que novos encontros aconteçam e que esse projeto possa ser dinamizado nessa unidade escolar e nas demais unidades selecionadas para tal.

Professores reunidos, ao final do encontro: expectativa de uma
profícua parceria para esse instigante projeto.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

II Seminário de Memória e Patrimônio Histórico de Queimados - imagens e narrativas orais: disputas e confrontos na construção de identidades

Professores Claudia Costa e Nilson
Henrique falam um pouco sobre a
proposta do evento, antes da abertura.
Dia 21 de setembro de 2013: um sábado de sol e muito calor em Queimados. Dentro do Teatro-Escola Marlice Margarida Ferreira da Cunha, o pessoal aguardava o início do II Seminário de Memória e Patrimônio Histórico de Queimados, uma realização da Secretaria Municipal de Educação de Queimados (SEMED-Queimados), do Núcleo de Estudos sobre Biografia, História, Ensino e Subjetividades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NUBHES/UERJ) e nós, do Pesquisa, Memória e História de Queimados. A proposta da segunda edição desse evento era discutir as possibilidades para a escrita e o ensino da história, a partir de novos olhares e abordagens sobre imagens e narrativas orais.

Solenidade de abertura do evento. Da esquerda para a direita: Prof. Nilson
Henrique, Prof. Dr. Luís Reznik, Profª. Drª. Márcia Gonçalves, Secretária
de Educação de Queimados Profª. Mírian Motta, o Prefeito Max Lemos,
Profª. Magaly Cabral, Prof. Dr. Paulo Knauss e Cel. Vasconcelos.  
Inspirada nessa perspectiva, a professora Magaly de Oliveira Cabral Santos, diretora do Museu da República, conduziu a conferência de abertura do evento. Durante sua fala, a professora Magaly compartilhou suas experiências como museóloga e educadora, mostrando que, muito mais que um espaço de guarda de documentos e outros artefatos históricos, os museus são espaços educativos. Dessa forma, a conferencista introduziu a discussão que perpassou os trabalhos da parte matinal do evento.
Prof. Nilson apresenta a mesa de debates, composta pelos
professores Luís Reznik e Paulo Knauss e mediada pela
professora Márcia Gonçalves.
A seguir, foi formada a mesa de debates com os historiadores Luís Reznik, professor da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP/UERJ) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e Paulo Knauss, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Diretor do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). Contando com a mediação da professora Márcia de Almeida Gonçalves, coordenadora do NUBHES/UERJ, os professores Luís e Paulo expuseram um pouco de suas experiências com projetos que, a partir das reflexões sobre as memórias e o patrimônio cultural, apontam alternativas para a escrita da história local. Por meio da produção de material audiovisual, elaborada em conjunto com outros professores-pesquisadores e alunos-bolsistas no decurso desses projetos, os professores apostam no estreitamento da relação entre historiografia e o ensino de história. Ao final, o debate foi aberto e os participantes do evento
Professores colocam questões à mesa.
puderam propor perguntas e compartilhar inquietações e reflexões com os expositores.
Após pausa para o almoço do pessoal, o turno da tarde começou com as oficinas. Com temáticas variadas, mas sem perder de vista a proposta basilar do evento, professores-pesquisadores vinculados à diversas instituições trouxeram mais questões para fomentar o debate acerca dos estudos sobre memória, história, identidades e educação. Nem o forte calor, nem o terrível barulho, causado por um evento realizado na quadra esportiva ao lado do teatro-escola, abalaram o interesse dos participantes: professores e ouvintes se mantiveram atentos e dispostos a discutir um pouco mais, a respeito de suas experiências e práticas.
Oficina da professora Juçara Mello:
a discussão sobre o Patrimônio
Cultural foi um dos temas que
perpassaram as oficinas.
Encerrando o evento, a professora Márcia Gonçalves proferiu conferência, na qual chamou a atenção para a temporalidade disjuntiva das memórias e a importância da articulação entre as esferas local, regional, nacional e global, para a escrita da história. Essa conferência fechou, por volta das 18h, os profícuos debates iniciados durante esse dia. Entretanto, esses debates introduziram importantes questões que, certamente, nos ajudaram (ou ajudarão) a pensar e repensar a história da cidade de Queimados e da Baixada Fluminense, suas problemáticas e seus sujeitos. 
Esperamos que esse encontro tenha sido produtivo para os presentes que, mesmo em um sábado de sol e calor, compareceram ao evento e participaram das atividades. Esperamos, ainda, poder realizá-lo outras vezes...

Conferência de Encerramento, proferida pela Profª. Drª. Márcia de Almeida
Gonçalves.

domingo, 15 de setembro de 2013

Queimados vai a Campinas: nosso trabalho apresentado durante o X Encontro Regional Sudeste de História Oral

Conferência de Abertura do X Encontro Regional 
Sudeste de Historia Oral: o professor Richard Candida
 Smith fala sobre as memórias norte-americanas 
no contexto da Segunda Guerra Mundial.
Continuamos na estrada, nesse produtivo ano de 2013. Setembro começou com nossa ida a Campinas, para participar do X Encontro Regional Sudeste de História Oral, realizado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), entre os dias 10 e 13. Nas malas, além de laptop, roupas e livros, mais uma vez, as expectativas de apresentar um pouco do nosso trabalho e incorporar críticas e sugestões para aprimoramento da nossa prática. Para isso, além de ouvintes e expositores, nos inscrevemos em dois minicursos oferecidos no decorrer dos dias do evento, a fim de participar de debates em torno das tensões entre memória e história e dos usos do audiovisual para mediar tais relações.
Logo no primeiro dia de trabalho, bem cedo, os minicursos já nos surpreenderam positivamente. As questões debatidas pelos professores Glauber Cícero Biazo (NEHO-USP) e Marta Rovai (UFPI), ao longo dos encontros do minicurso "Teoria e procedimentos em História Oral: a memória e a contribuição das fontes orais para a pesquisa histórica" propiciaram ao professor Nilson Henrique, a reflexão sobre nossas práticas, como a realização e análise das entrevistas. Da mesma forma, as aulas ministradas pela professora Ana Carolina Maciel (LABHOI/UFF e Museu Paulista/USP) ao longo do minicurso "O audiovisual como suporte narrativo" foram extremamente instigantes para a professora Claudia Costa, no que diz respeito à produção de filmes/documentários sobre o material audiovisual que já coletamos ao longo desses cinco anos.
Mesa 2: Poder, Violência e
Intolerância, com os p
rofessores
Antônio Motenegro (UFPE),
Margareth Rago (UNICAMP),
Christina Lopreato (UFU) e
Maria Elena Bernardes (UNICAMP)
Após a aula do primeiro dia caminhamos, da Faculdade de Educação até o Centro de Convenções para a Conferência de Abertura. Nessa ocasião, o professor Richard Smith (University of California, Berkeley) expôs um pouco de suas reflexões a partir do trabalho com depoimentos de norte-americanos que vivenciaram, em diversas escalas, a experiência da Segunda Guerra Mundial. Nos dias subsequentes, tivemos a oportunidade de participar das exposições e debates que acompanharam as mesas 1 e 2, intituladas, respectivamente, "História Oral: violências nos espaços domésticos e escolares" e "Poder, violência e intolerância".
Pausa para o almoço no bandejão da UNICAMP e a jornada prosseguia, com a realização dos Grupos de Trabalho (GTs) entre 14 h e 18 h. Dentre os doze GTs disponíveis no evento, inscrevemos nossa proposta de apresentação no GT 2 - "Diálogos contemporâneos: fontes orais e visuais nas pesquisas sobre memória," coordenado pelas professoras Lucia Grinberg (UNIRIO) e Ana Maria Mauad de Sousa Essus (UFF). Acompanhando as apresentações e discussões ocorridas em todos os dias desse grupo de trabalho, pudemos entrar em contato com pesquisas e
Material do evento e certificados:
essa foi mais uma oportunidade de
conhecer a produção de outros
pesquisadores e dar a conhecer
o nosso trabalho.
pesquisadores de diversas instituições, propiciando um importante intercâmbio de ideias. No último dia, nossa apresentação mostrou um pouco do trabalho que vem sendo desenvolvido a partir das entrevistas com as lideranças emancipacionistas queimadenses, apontando para a possibilidade da escrita da história desse momento decisivo para a autonomia política da cidade.
Terminadas as últimas exposições e o debate do GT, a Conferência de Encerramento, proferida pela Profª. Drª. Ângela de Castro Gomes (UFF e CPDOC/FGV) fechou com chave de ouro o evento. A professora Ângela, aliás, esteve presente no último dia do nosso grupo de trabalho e contribuiu com importantes sugestões a respeito do nosso trabalho, assim como as interseções feitas pelas professoras Ana Mauad e Lucia Grinberg.   
Da esquerda para a direita: Clea Santos (Fundação José Carvalho),
Fernanda Silva (UNIRIO), Profª. Ângela de Castro Gomes (FGV),
Profª. Ana Maria Mauad (UFF), Profª. Lucia Grinberg (UNIRIO),
Profª. 
Claudia Costa, Prof. Nilson Henrique, Profª. Ana Carolina
Maciel (Museu Paulista) e Profª. Ana Maria Negrão (UNICAMP):
encerramento dos trabalhos no GT 02 - Diálogos contemporâneos:
fontes orais e visuais nas pesquisas sobre memória.

domingo, 18 de agosto de 2013

VII Seminário Nacional de História da Historiografia: nossas iniciativas apresentadas e discutidas em Simpósio Temático sobre Educação e Ensino de História

Material do VII Seminário Nacional de História da
Historiografia. Nesse ano, o tema foi Teoria da História
e História da Historiografia: diálogos Brasil-Alemanha.
Entre os dias 12 e 15 de agosto de 2013 realizou-se, na Universidade Federal de Ouro Preto, campus de Ciências Humanas situado na cidade de Mariana - MG, o VII Seminário Nacional de História da Historiografia. Com o tema "Teoria da História e História da Historiografia: Diálogos Brasil-Alemanha", o evento contou com a participação de professores/pesquisadores de diversos centros de produção acadêmica desses dois países que, nesses quatro dias, proferiram palestras ou conferências, propuseram minicursos e participaram dos debates ocorridos nos onze simpósios temáticos.
No Simpósio Temático intitulado "História da Historiografia, Educação e Ensino de História" e coordenado pela Profª. Drª Carina Martins Costa (UERJ), Prof. Dr. José Rubens Lima Jardilino (UFOP) e Prof. Dr. Marcelo Abreu (UFOP), foi apresentada, pela professora Claudia Costa, a comunicação "Pelas memórias queimadenses: a possibilidade de escrita da história para além dos muros da academia". Essa comunicação apresentou reflexões e desdobramentos possíveis do trabalho desenvolvido em parceria com o professor Nilson Henrique, que consiste no registro e, posterior, análise crítica das memórias queimadenses.
A professora Claudia Costa apresenta suas pesquisas sobre as memórias
queimadenses, ouve perguntas, críticas e sugestões: é Queimados no VII
Seminário Nacional de História da Historiografia, realizado na Universidade
Federal de Ouro Preto! 
Nesse sentido, a professora Claudia iniciou sua exposição, citando Leonor Arfuch, quando a linguista argentina preconiza que as entrevistas realizadas no âmbito de pesquisas de ciências sociais pressupõem um estágio inicial, direcionado à elaboração de produtos outros (ARFUCH, 2010: 242). No presente caso, destacamos que esses "produtos outros" não têm se restringido à pesquisa acadêmica. De fato, longe de se fechar no interior dos muros acadêmicos, as pesquisas desenvolvidas por nós, do Pesquisa, Memória e História de Queimados têm apontado variadas e instigantes possibilidades de trabalho, especialmente no campo da escrita e ensino da História Local. Assim, foram apresentados e submetidos aos debates que se seguiram, um pouco de nossas iniciativas nesse sentido, tais como as próprias entrevistas, exposição, seminários, palestras, oficinas, trabalhos de campo etc. 
Consideramos que a participação nesses eventos oportunizam o surgimento de diálogos que muito tem contribuído para o incentivo e aprimoramento do nosso trabalho. Ainda temos comunicações inscritas em mais dois eventos nesse ano. Em breve levaremos Queimados para Campinas, para o Encontro Regional Sudeste de História Oral e, encerrando o ano, retornaremos à UERJ, para a Semana de História Política. Até lá!

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Obs.: As despesas com a hospedagem da professora Claudia Costa, durante os dias do evento em Mariana - MG, foram custeadas com verba concedida pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ).

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Memórias queimadenses em foco no I Seminário de História e Cultura, na Universidade Federal de Uberlândia

A professora Claudia Costa inicia
sua exposição, durante a realização
de uma das mesas de comunicação
do GT-Memória, história
e subjetividades
.
Na tarde da última quarta-feira (26/06/2013), a emancipação de Queimados foi apresentada e tornou-se objeto de debates, durante o I Seminário de História e Cultura: historiografia e teoria da história, promovido pelo Programa de Pós Graduação em História, da Universidade Federal de Uberlândia.  O trabalho, intitulado "A emancipação de Queimados - RJ nas narrativas orais: enquadramento das memórias e escrita da história" foi apresentado pela professora Claudia Costa, no decorrer da sessão sobre Biografia, História, Memória e Anarquismo.  Essa sessão integrou o Grupo de Trabalho Memória, História e Subjetividades, coordenado pelo Prof. Dr. Gilberto Noronha.  Completando essa sessão, o pesquisador Maicon da Silva Camargo expôs uma parte de seu projeto de mestrado sobre as cartas familiares de D. Francisco Manuel de Melo e as pesquisadoras Lucia Elena Brito e Ananda Maria Veduvoto, abordaram as questões atinentes às memórias dos moradores mais antigos da cidade de Frutal - MG.
Durante a apresentação, o professor
Gilberto, coordenador do GT, faz
apontamentos para o posterior
debate.
Ao longo da exposição, a professora Claudia buscou demonstrar um pouco do trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos, em parceria com o professor Nilson Henrique, a partir do registro e análise das entrevistas com a população queimadense.  Parte dessas entrevistas vem sendo usada pela professora Claudia, na elaboração de sua dissertação de mestrado junto à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação da Profª. Drª. Márcia Gonçalves.  Assim, esses relatos de vida têm sido importantes para a preservação e estudo das memórias de Queimados, com vistas à escrita da história da cidade. 
Dessa forma, consideramos que a participação em eventos, como esse seminário, propicia o debate acerca de questões concernentes à tendências historiográficas e/ou teórico-metodológicas que, certamente, muito enriquecem nossa prática.  A troca de experiências com pesquisadores de diversas instituições do país torna-se indispensável, além de se constituir em um exercício muito agradável.  Por meio dessas oportunidades, constatamos que outras cidades do Brasil possuem pesquisadores que, assim como nós, se dedicam à investigação do passado através dos "fios e rastros" - para usar uma expressão do historiador italiano Carlo Ginzburg - que podem estar em vários lugares, notadamente nas memórias.  Ouvi-las e torná-las objeto de estudos historiográficos tem sido nosso maior desafio durante os últimos anos.  Saber que não estamos sozinhos, diante de semelhante desafio, é altamente motivador!       
Ao encerrar a apresentação, começaram os debates: Queimados e sua
história suscita questões e sugestões, integrando discussões
muito profícuas.
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Obs.: As passagens para Uberlândia, que permitiram a participação da professora Claudia Costa nesse evento, foram custeadas com verba concedida pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ)

terça-feira, 25 de junho de 2013

Queimados mostra a sua cara em protesto pacífico: em questão, os problemas do município

Queimadenses, sobre a passarela da ferrovia, observam
e se integram, gradativamente, ao movimento
pacífico que tomou as ruas do centro.
Em consonância aos protestos que tomaram conta de várias cidades do Brasil, ao longo desse mês, a população de Queimados também foi às ruas, nessa última sexta-feira (21/06/2013).  Portando cartazes com reivindicações que também ecoaram pelas ruas de outros municípios da Baixada Fluminense nesse mesmo dia, os queimadenses se concentraram na Praça dos Eucaliptos e partiram em passeata, em direção ao centro da cidade.  No caminho dos manifestantes, a prefeitura da cidade e o fórum, símbolos do poder público.  A manifestação, que contou com gente de várias idades e até mesmo famílias, foi acompanhada de perto por um efetivo da Polícia Militar que, entretanto, não precisou entrar em cena.


Apesar do quantitativo expressivo de manifestantes, a polícia somente
cumpriu o seu trabalho de observar o movimento e zelar pela
segurança de todos.
Refletindo sobre todo esse movimento, deflagrado de norte a sul do país, se torna inevitável pensar nos ideais de democracia e cidadania que vêm sendo adotado no Brasil, desde iniciado o processo de abertura política, há mais de 30 anos.Em meio ao bombardeio midiático em torno dos eventos e as polarizações político-ideológicas, por vezes radicais: que balanço podemos fazer sobre os rumos que as ações populares vem apontando no Brasil?  Ou uma questão mais ampla: que tipo de democracia e ação cidadã estamos assistindo emergir dessas manifestações?
Manifestantes levam seus 
cartazes pra rua: problemas 
da cidade postos em discussão.
Os questionamentos e as respostas não são simples.  Até porque, ter uma percepção global dos eventos que estão acontecendo, estando também nós, mergulhados no processo, não é tarefa das mais fáceis.  Essa é, aliás,  uma pedra de toque para os debates entre Ciência Política e História: existe um recorte cronológico específico que delimite os objetos de uma ou outra área de saber?  Os acontecimentos vividos podem ser analisados por estudos históricos?  As pesquisas realizadas no campo da História do Tempo Presente apontam para debates cada vez mais profícuos entre História e Ciência Política que, longe de se excluírem, vêm enriquecendo as análises sobre  temas atuais.
Assim, ao acompanharmos esses protestos, seja nas ruas ou pelas mídias, é  inevitável buscar referências na história recente do país, procurando ampliar nosso entendimento sobre o que está acontecendo.  Dessa forma, o presente artigo não pretende julgar se há herois ou vilões nessa história.  Até porque, isso não é função da história!  A proposta é esboçar um breve balanço das questões envolvendo a democracia brasileira e o tipo de cidadania que ele vem colocando em discussão.
A maioria das teses de pesquisadores brasileiros, que hoje discutem a questão da transição política no país, concorda que suas origens se encontram no bojo das próprias contradições e paradoxos introduzidos pelo próprio regime ditatorial, civil-militar, que vigorou entre 1964 e 1989.  Assim, no caso brasileiro, a duração do processo de abertura, seus continuísmos e rupturas são aspectos que devem ser levados em consideração quando pensamos sobre os eventos que ocupam as ruas do país agora.  Refletamos, portanto, sobre as permanências de aspectos autoritários no padrão democrático encetado no Brasil, a partir da década de 1980 e nos possíveis desdobramentos que vieram carreados por tal processo, no qual, segundo a percepção de muitos pesquisadores do assunto, ainda estamos mergulhados.
Direito de voto estendido aos jovens de 16 anos: conquista
da Constituição Federal de 1988 que repercute,
positivamente, na composição dos protestos atuais.
Apesar da evidente manutenção de aspectos autoritários que visavam, principalmente, a remodelação de práticas de controle social, a década de 1980 marcou um importante passo no sentido de construir o ideal democrático brasileiro.  Com  a promulgação da Constituição Federal de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, verifica-se o despertar da sociedade brasileira para as grandes questões nacionais (NAVES, 2003: 569) e a consequente retomada dos direitos civis, em um movimento que pressupõe significativa ampliação do conceito de cidadania.  O movimento, que envolveu a promulgação dessa Constituição, colocou em questão os direitos políticos, na medida em que a nova  lei estabeleceu eleições livres e ampliou o direito de voto aos jovens a partir de dezesseis anos, povos indígenas e analfabetos.
Nesse contexto, não é demais lembrar, se desenvolveram as duas tentativas de emancipação de Queimados: o primeiro plebiscito, em 1988, frustrado por falta de quórum mínimo de votantes, e o plebiscito de 1990, que conquistou a autonomia queimadense, que deixou de ser o Segundo Distrito de Nova Iguaçu a partir de então.  Percebemos que as lutas pela expansão dos direitos políticos, para além daqueles sociais e civis, foram importantíssimas para a cidade e, em uma escala ampliada, para o Brasil.
O expressivo contingente e as mensagens nas faixas nos dão a ideia do 
que foi o movimento em Queimados: reivindicações sim, violência não.
Portanto, acreditamos que os protestos que assistimos agora, ocorrendo em diversas cidades do país, são desdobramentos dessas questões, cujos debates não se esgotaram nas décadas de 1970, 1980 e 1990.  Entende-se que o exercício da cidadania é praticado dia-a-dia e demanda a ampliação da consciência política de todos.  Nesse sentido, essas mobilizações já são vitoriosas: mesmo em um momento em que as atenções do Brasil e do mundo estão voltadas para os grandes eventos futebolísticos que o país sedia e sediará no próximo ano, conseguiram chamar a atenção para algumas mazelas nacionais, admitindo e denunciando a crise em diversos setores da administração pública, colocando-as, para o bem ou para o mal, nas pautas de discussão das mídias.    
Não nos atreveríamos a arriscar um prognóstico, até porque a futurologia não faz parte da história.  O convite é para que acompanhemos os próximos acontecimentos, buscando referências na história política do Brasil para opinarmos ou agirmos de forma consciente, reduzindo os espaços para o oportunismo ou o autoritarismo que, infelizmente, também são forças que costumam emergir em contextos de transformações eminentes.
Ao cair da noite, a passeata chega à sede da prefeitura e 
ao fórum de Queimados.
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Indicações bibliográficas:

AGGIO, Alberto.  “Regime militar e transição democrática: um balanço do caso brasileiro.” In Revista Estudos de Sociologia, v. 1, nº 1, 1996. Disponível em: www.seer.fclar.unesp.br/estudos/issue/view/121  Acessado em 20/04/2013.

ARTURI, Carlos S..  “O debate teórico sobre mudança de regime político: o caso brasileiro.”  In Revista de Sociologia e Política – Dossiê Transição Política. nº. 17, Curitiba, Nov/2001. – p.p.: 11-31.

AVRITZER, Leonardo. “Cultura política, atores sociais e democratização: uma crítica às teorias da transição para a democracia.” In: Revista Brasileira de Ciências Sociais, Belo Horizonte,MG, v. 10, n.28, 1995.  Disponível em: www.anpocs.org.br/portal/publicações/rbcs_00_28/rbcs28_09.htm Acessado em 27/06/2012.

KINZO, Maria D’Alva G..  “A democratização brasileira: um balanço do processo político desde a transição.” In São Paulo em perspectiva, v. 15, nº 4, out/dez. 2001. Disponível em: www.scielo.br/pdf/spp/v15n4/10367.pdf  Acessado em 13/04/2013.

NAVES, Rubens.  “Novas possibilidades para o exercício da cidadania.”  In: PINSKY, J. e PINSKY, C. B. (orgs.)  História da Cidadania.  São Paulo: Editora Contexto, 2003, p.p.: 563-588.   

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Trabalho sobre Queimados é apresentado em mais um evento: nossa participação na Semana de História FEUDUC, em Duque de Caxias

Mesa 3 - Baixada Fluminense: História, patrimônio e
memória social:
da esquerda para a direita, Profª. Ercília,
Prof. Fábio, Prof. Inácio, Profª Gisele e Profª Claudia Costa.
Mais uma oportunidade de demonstrarmos os resultados parciais do nosso trabalho: na noite da última quarta-feira (19/06/2013), a comunicação intitulada "Escrevendo a história do município de Queimados - RJ: experiências possíveis, no âmbito da História Pública" foi apresentada pela professora Claudia Costa, durante as atividades previstas pela Semana de História da FEUDUC.
A proposta do trabalho se pautou na tríade: pesquisa, preservação e divulgação, para abordar as ações empreendidas por nós, do Memória, Pesquisa e Patrimônio Histórico de Queimados.  Tendo como eixo, as possibilidades introduzidas pela prática da História Pública, foi demonstrado um pouco das ações desenvolvidas, ao longo dos quatro anos de dedicação aos estudos das  interações possíveis entre as memórias e a escrita da história de Queimados, e sua interface com o público acadêmico ou não. 
Profª. Claudia Costa inicia a apresentação sobre as ações
desenvolvidas pelo Memória, Pesquisa e Patrimônio
Histórico de Queimados. 
Acreditamos que os saberes produzidos em centros de pesquisa histórica e universidades devam ter uma circulação que extrapole os muros do meio acadêmico e estejam acessíveis a um número cada vez maior de pessoas.  Acreditamos, ainda, que as ações que visem a esse objetivo contribuem para colocar em questão o exercício da cidadania, por meio da democratização do conhecimento e oportunidade de construção do saber.
Assim, aproveitamos o espaço para agradecer à gentileza do convite da comissão organizadora da Semana de História FEUDUC que, confiando na seriedade do nosso trabalho, proporcionou um interessante debate sobre diversos aspectos da história da Baixada Fluminense, nessa noite de quarta-feira...

Apresentando o blog para o público atento, composto por alunos da
FEUDUC: o evento oportunizou um ótimo debate sobre história da
Baixada Fluminense.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

II Seminário de Memória e Patrimônio Histórico de Queimados

Já estão abertas as inscrições para o II Seminário de Memória e Patrimônio Histórico de Queimados!  O evento desse ano contará com a presença de vários professores-pesquisadores, atuantes em importantes centros universitários e espaços de referência e guarda de documentação histórica do estado do Rio de Janeiro.  Como no primeiro evento, serão oferecidas dez instigantes oficinas, que deverão ser escolhidas pelo participante, no ato da inscrição.
O evento é mais uma realização nossa (Pesquisa, Memória e História de Queimados), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Queimados (SEMED/Queimados) e o Núcleo de Estudos sobre Biografia, História, Ensino e Subjetividades, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (NUBHES/UERJ).



Para maiores informações e realizar sua inscrição, acesse: http://projbaixada.wix.com/seminarioqueimados

sábado, 8 de junho de 2013

Pesquisa, memória, história e educação: é Queimados no II Encontro de Pesquisa em História da UFMG!

Kit do evento: nossas credenciais e os certificados
correspondentes às nossas exposições.
O trabalho em várias frentes, realizado pelo Pesquisa, Memória e História de Queimados, a despeito de todas as dificuldades, tem dado muitos frutos e, especificamente nesse ano, ultrapassado muitas fronteiras.  Nessa semana, estivemos em Belo Horizonte, para participar do II Encontro de Pesquisa em História da Universidade Federal de Minas Gerais (IIEPHIS/UFMG), onde apresentamos resultados parciais de nossos trabalhos, perante pesquisadores do Brasil e do mundo.
Na última quinta-feira, dia 06/06/2013, às 14 horas, foi apresentado, no Simpósio Temático 04 - "História Política e Culturas Políticas no Brasil Contemporâneo (1945-2013), o trabalho da professora Claudia Costa, intitulado "As narrativas orais acerca da emancipação do município de Queimados (RJ): uma possibilidade de análise no campo da história política."  Sua comunicação abordou parte de sua pesquisa sobre a emancipação de Queimados, que vem sendo desenvolvida junto ao Programa de Pós Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ), sob a orientação da professora Márcia de Almeida Gonçalves.  Durante cerca de 20 minutos, a professora Claudia Costa procurou destacar a importância do uso de fontes orais, como documentação para trabalhar seu tema, tendo como eixo a renovação da História Política e o próprio conceito de Culturas Políticas.  Esse conceito, surgido a partir do diálogo entre Antropologia e Ciência Política, tem suscitado profícuos debates, também em âmbito historiográfico.  Dessa forma, a professora Claudia busca compreender o processo de emancipação queimadense, tendo como ponto de partida, as tensões entre culturas políticas autoritárias e culturas políticas democráticas, em questão no Brasil do pós ditadura.  Completando essa mesa, coordenada pelos professores mestrandos Carla Corradi e Gabriel Amato, estavam: o doutorando Marcelo Romero (UFJF), a doutoranda Mélanie Toulhoat (IHEAL - Paris 3 - Sorbonne Nouvelle) e a graduanda Rochelle Gutierrez Bazaga (UFTM).


Professora Claudia Costa, mestranda do PPGH/UERJ, faz a exposição de
parte de sua pesquisa no II Encontro de Pesquisa em História da UFMG:
dando a conhecer um pouco da história de Queimados.
Às 16 horas, teve início a mesa de comunicações livres, intitulada "Ensino de História II", na qual o professor Nilson Henrique teve a oportunidade de levar, para o público acadêmico, um pouco do projeto "Encontros & Conexões: [re]descobrindo histórias", idealizado no bojo das ações empreendidas pelo Centro de Pesquisa em Memória e Patrimônio Histórico de Queimados e realizado pela Secretaria Municipal de Educação de Queimados, no ano de 2011.  Ao longo de sua fala, o professor Nilson ressaltou a importância da formação continuada dos docentes e o caráter pluridisciplinar de projetos como esse.  Para quem não se lembra ou não participou do projeto, o "Encontros & Conexões" tinha como objetivo geral, a integração de disciplinas do currículo da educação básica, no sentido de revisitar a história local, objetivando despertar a consciência histórica de docentes e discentes, enquanto atores dessa dinâmica.  A partir dessa premissa, buscou-se a compreensão da historicidade da Baixada Fluminense, em articulação com o Vale do Paraíba, levando em conta as relações econômicas, sociais e culturais estabelecidas entre essas regiões, ao longo do tempo.  completando essa mesa, coordenada pela professora doutoranda Débora Cazelato, estavam: Marco de Mendonça (UFMG), Thiago Viana (UFV), Cleyton Santos e Carlos Soares (ambos do Centro Universitário Adventista de São Paulo).

Professor Nilson Henrique expõe, em mesa de comunicações sobre o Ensino
de História, os objetivos propostos e os resultados obtidos com o projeto
Encontros & Conexões: [re]descobrindo histórias, realizado em Queimados,
no ano de 2011.
O produtivo debate que se seguiu, em ambas as mesas, suscitou-nos muitas reflexões e fez com que retornássemos ao Rio de Janeiro, cheio de ideias e com a certeza de que, apesar de todas as dificuldades, o trabalho que desenvolvemos vem sendo conhecido, reconhecido e respeitado dentro e fora das comunidades acadêmicas.  Oportunidades como essa são, certamente, uma motivação imensa para que prossigamos em nossas jornadas!      


Lamentando o pouco tempo disponível para a estada e participação nas
atividades do evento, nos despedimos de Belo Horizonte, às portas do
prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH/UFMG).

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Trabalho de campo mobiliza galerinha do CEMP: lições de História e Geografia em Queimados!

Professor Nilson inicia a aula-passeio,
falando um pouco sobre a história de
Queimados, nos tempos dos laranjais.
Em um projeto concebido pelos professores Nilson Henrique, de História, e Wellington, de Geografia, as turmas do 9º ano do Centro Educacional Manuel Pereira tiveram oportunidade de conhecer e reconhecer sua cidade, analisando os impactos das transformações socioeconômicas em seu perfil.   O projeto, intitulado "Geografia: palco em que se encena a História" contou ainda, com o apoio das Secretarias Municipais de Transporte e de Meio Ambiente, além da participação da Guarda Ambiental.
O grupo, reunido à tarde em frente ao CEMP, partiu, sob a orientação dos professores, rumo ao Morro da Torre: ponto culminante da aventura.  Pelo caminho, uma aula-passeio sobre os lugares de memória da cidade, onde são mais sensíveis as mudanças causadas pelo crescimento urbano e a modernização.  Um a um, os marcos dessa história vão sendo reconhecidos: a estação ferroviária, o centenário pontilhão sobre o Rio Abel, a sede do Queimados Futebol Clube...  Heranças materiais, de tempos longínquos para a gurizada, mas que devem ser compreendidas e debatidas em seu contexto histórico, pois também são portadoras de memórias sobre a cidade.
Professor Nilson chama a atenção, dos alunos, para 
as transformações ocorridas em Queimados, que 
podem ser verificadas a partir de marcos no 
pontilhão sobre o rio.
Da mesma forma, as transformações, impressas em Queimados por sua trajetória histórica, não podem prescindir de uma análise que contemple seus aspectos geográficos.  Ao abordar os conteúdos curriculares de história e geografia da Educação Básica, por meio dessa atividade, os professores Nilson e Wellington acreditam na dinamização de sua prática pedagógica.  Assim, chegando ao Morro da Torre, foram observados os aspectos nocivos da ocupação desordenada do espaço urbano: a especulação imobiliária e a exploração de minérios, que ocupa um dos contrafortes do morro, vem causando depredação ambiental e, com isso, grave desequilíbrio ecológico na região.
Acima, à esquerda: detalhe dos professores Wellington e
Cláudia (Coordenação Pedagógica CEMP).  À direita: o professor
Wellington aborda questões sobre a geografia local, antes
de subir o Morro da Torre.  Abaixo: panorâmica da exploração
desregrada dos recursos naturais, no Morro da Torre. 

Esperamos que inciativas, como essa, frutifiquem e se propaguem por outros colégios, oferecendo excelentes oportunidades para professores e alunos compartilharem saberes e construírem conhecimento.

O grupo reunido, no topo do Morro da Torre, com destaque para os
professores Wellington e Nilson, na foto, à direita.       

terça-feira, 28 de maio de 2013

Nosso blog publicado, nosso trabalho reconhecido!

De acordo com o historiador Robert Kelley, na perspectiva da História Pública, a história deve estar em todo lugar, extrapolando os limites da academia e ganhando espaço em empresas públicas ou privadas, museus, sociedades históricas e também na mídia. (KELLEY, 1992: 111)  Nosso trabalho, entre tantas outras frentes, se realiza por meio dos artigos que publicamos nesse blog, com o objetivo de divulgar os resultados de nossa pesquisa sobre a cidade de Queimados.  Assim, acreditamos estar levantando questões e promovendo o debate acerca da importância da história local, despertando consciências, compreendendo a historicidade desse, ainda, jovem município da Baixada Fluminense. 
Dessa forma, é com imenso prazer que comunicamos a publicação do nosso trabalho com o blog Memória, Pesquisa e Patrimônio Histórico de Queimados, nos Anais do Simpósio Internacional de História Pública: a história e seus públicos.  Esse artigo é a versão escrita da comunicação apresentada em julho de 2012, no referido evento, realizado pelo Núcleo de Estudos em História da Cultura Intelectual da Universidade de São Paulo (NEHCI/USP).  Sua publicação vem coroar nosso esforço pela divulgação do nosso trabalho, para além das fronteiras acadêmicas, para além das fronteiras do Rio de Janeiro.    Portanto, agradecemos aos leitores críticos do nosso blog e à todas as pessoas que nos tem ajudado e incentivado até agora, convidando-lhes para conferir nosso texto nos anais do evento.

sábado, 20 de abril de 2013

Oficina sobre Biografia, Memória Social e os usos da História Oral na prática docente mobiliza CIEP 355

Professora Márcia de Almeida Gonçalves (NUBHES/UERJ)
inicia a exposição sobre os "múltiplos eus" de
 Edgard Roquette-Pinto.
As possibilidades de interação entre as pesquisas acadêmicas e a sala de aula são variadas e instigantes.  Acreditando nessa premissa, pesquisadores do Núcleo de Estudos sobre Biografia, Ensino e Subjetividades (NUBHES/UERJ), coordenados pela Profª. Drª. Márcia de Almeida Gonçalves, seguiram para Queimados, onde realizariam oficina sobre Biografia, Memória Social e os usos da História Oral na prática docente, junto à equipe do CIEP 355 - Roquette-Pinto.  Fazendo parte desse grupo de pesquisadores, está a professora Claudia Costa, do Memória e Patrimônio Histórico de Queimados que, atualmente, desenvolve pesquisa de Mestrado, junto ao Programa de Pós Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Márcia Gonçalves.
Pouco a pouco, a equipe docente do CIEP 355 vai conhecendo
mais, da trajetória de vida de Edgard Roquette-Pinto.
Em tom de bate-papo informal, a tarde transcorreu de forma muito agradável.  O grupo do NUBHES foi muito bem recebido pela equipe técnica e pedagógica do CIEP Roquette-Pinto, representada pelas professoras Alessandra e Zilda, respectivamente diretora adjunta e diretora geral dessa unidade escolar.  Um grupo de professores, de diversas disciplinas, também aguardava para participar dos debates que, certamente, seriam promovidos pela oficina.
Professores do CIEP 355 - Roquette-Pinto,
acompanham a oficina com atenção...
... talvez, já pensando nas possibilidades
de projetos, a desenvolver junto
aos alunos da escola.











Em um primeiro momento, a palavra ficou com a professora Márcia que, por meio de exposição intitulada "Biografia e Memória Social: descobrimentos de Edgard Roquette-Pinto."  No decorrer de sua fala, a professora Márcia apresentou as múltiplas identidades de Roquette-Pinto, que empresta seu nome àquela unidade escolar.  Por meio de fotografias, textos escritos e vídeos, a professora abordou a trajetória de vida de Roquette-Pinto, contextualizando sua atuação às questões políticas, econômicas e sociais de final do século XIX e primeira metade do século XX.  Médico, Antropólogo, Radialista, Educador...  foram vários os campos de ação de Edgard Roquette-Pinto, que o tornam sujeito e objeto de profícuas pesquisas que podem ser desenvolvidas por professores e alunos no espaço escolar.    
Professora Claudia Costa e Professora Andréa Camila,
ambas orientandas da Professora Márcia,
também observam a exposição.
Após essa exposição, foi a vez da professora Claudia Costa discorrer um pouco sobre o surgimento da metodologia da História Oral e suas aplicações aos estudos históricos, principalmente no que tange os estudos biográficos.  Além dessa perspectiva, a metodologia da História Oral pode ser utilizada na prática pedagógica, com o objetivo de usar os recursos tecnológicos como eixo para promover a aproximação entre professores, alunos e comunidade escolar.  A formação de um arquivo com as memórias do colégio, registradas em suporte audiovisual, também foi uma interessante sugestão, colocada pela professora Claudia, durante sua exposição.  Para finalizar a oficina, os professores presentes puderam assistir à parte de uma entrevista de história de vida, registrada pelos professores Claudia Costa e Nilson Henrique que, além do seu trabalho no Memória e Patrimônio Histórico de Queimados, também integra o corpo docente do CIEP Roquette-Pinto e foi muito importante nos contatos que possibilitaram esse encontro tão produtivo.
A Professora Claudia Costa dá início à segunda parte da oficina, que
aponta as possíveis contribuições da História Oral para a elaboração
de projetos pedagógicos.
Encerrando essa tarde de trocas muito positivas, a equipe do CIEP Roquette-Pinto, mais uma vez se superando em simpatia e receptividade, preparou um super-lanche para o grupo da NUBHES.  Esse foi mais um agradável e descontraído momento, em que os professores tiveram oportunidade de trocar experiências.  
Sem dúvidas, esse foi um encontro bastante profícuo e que, por isso, fazemos votos que se multipliquem em outras escolas.  Acreditamos que abrir canais para o diálogo entre academia e a prática docente na Educação Básica é um caminho a ser seguido: uma experiência enriquecedora para ambas partes.
As diretoras Zilda e Alessandra, em nome da equipe do CIEP 355,
entregam carinhosas lembranças à equipe do NUBHES/UERJ.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A cor da Baixada: escravidão, liberdade e pós abolição no Recôncavo da Guanabara

A Baixada Fluminense tem uma cor? Qual seria a cor da Baixada Fluminense? Com esse tipo de provocação, Nielson Bezerra traça parte da história do Recôncavo do Rio de Janeiro, através de uma análise sobre a vida social da região, protagonizada pelos africanos e afrodescendentes que viveram as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Por que um território que foi povoado por uma população majoritariamente negra não tem referências suficientes na historiografia produzida pela região? Mais uma vez o autor nos provoca o pensamento... 
Esse pode ser classificado como um ensaio em aberto, muito mais interessado em iniciar um debate do que encerrar seus argumentos. Um livro necessário para que a Baixada Fluminense possa enxergar em seu passado um espaço de reflexão sobre os seus problemas atuais.
Mais uma vez Nielson Bezerra demonstra o seu interesse em atingir o leitor comum, privilegiando narrativas de personagens reais, cujas histórias são tão verdadeiras que qualquer morador da região confunde com a trajetória de seus próprios antepassados. Conquanto, como um historiador de talento internacionalmente reconhecido, Bezerra não se furta dos métodos e das diversas concepções teóricas, demonstrando ser possível um diálogo entre a produção científica formal e o leitor comum. O livro é divertido, suas histórias envolventes e suas recorrentes provocações estão em cada página discorrida.
"A cor da Baixada” é um livro em que o cidadão de cor, ou seja, pretos e mestiços, que formam a maioria da população das cidades do território, são agentes de sua própria história. As escolhas individuais, os interesses pessoais, as estratégias coletivas e as diferentes formas de sociabilidades são exploradas em cada capítulo. Esse é um livro para aqueles que desejam saber um pouco mais sobre o longo tempo em que a escravidão perdurou como modalidade de exploração do trabalho africano no Brasil. Mas esse é, sobretudo um livro para aqueles que têm compromisso com a liberdade, pois através de sua leitura, será possível perceber os difíceis meandros percorridos para a construção da cidadania da população de cor nos primeiros anos republicanos de nossa história. (texto informado pelo autor)


Nielson Rosa Bezerra. A cor da Baixada: escravidão, liberdade e pós abolição no Recôncavo da Guanabara. Duque de Caxias: APPH-CLIO, 2012.
Contatos: bezerranielson@hotmail.com