domingo, 26 de abril de 2015

IX Encontro Nacional Perspectivas do Ensino de História e IV Encontro Internacional do Ensino de História: começando os eventos do ano de 2015!

Chegando ao local do evento, na companhia da
professora Juçara Mello (LEEHPaC/PUC-Rio)
Retomar a agenda de eventos, ao iniciar um ano, traz sempre novidades e um novo fôlego para as pesquisas. Nesse caso em específico, as expectativas eram enormes pois, tratou-se de expor ao debate uma nova pesquisa, inscrita no âmbito do Ensino de História Local e que acaba de ser aprovada pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP/UERJ). Imbuída desse desafio, estive nos IX Encontro Nacional Perspectivas do Ensino de História e IV Encontro Internacional do Ensino de História, realizado entre os dias 19 e 21 de abril de 2015, pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG), participando das discussões do grupo "Cartografia(s) da(s) memória(s) sensíveis na/da cidade(s)", coordenado pelos professores Lana Mara de Castro Siman e Lívia Torres Cabral (UEMG) e João Carlos Ribeiro de Andrade (Rede Municipal de Betim). 
A proposta democrática e plural do GD se evidenciava na filiação institucional de seus coordenadores, mesclando saberes construídos na universidade e a prática na Educação Básica, não se restringindo à área de história. A composição dos inscritos também evidenciava a proposta do grupo de discussão, ao abrir espaço para a participação de
Os coordenadores do GD: da
esq. para a dir., professores Lana,
Lívia e João Carlos.
pesquisadores graduandos ou recém-graduados a doutores e pós-doutores com pesquisas referenciais na área.  Por fim, o formato adotado pelo evento trouxe inovação, na medida em que não houve a apresentação individual de trabalhos. Os coordenadores de cada GD elaboraram um texto referência/síntese de todos os trabalhos inscritos. Esse texto foi o norteador das discussões e foi disponibilizado no site e no Caderno de Programação e Resumos, que todos os participantes receberam quando do credenciamento.
Assim, entre os dias 19 e 20, nosso grupo debateu as potencialidades de iniciativas fundadas nos rastros de memórias marcados em diversos suportes da cidade. Nessa perspectiva, interessava-me discutir as contribuições possíveis de uma análise historiográfica da cidade para o ensino da história local. Dentre os trabalhos inscritos no GD, a pesquisa do mestrando Rafael Nascimento da Silva, da Universidade Estadual de Londrina, chamou a atenção por propor a análise da emancipação política do município de Tamarana, que se desmembrou de Londrina na década de 1990. Ao ouvir a exposição do pesquisador, pude refletir um pouco mais sobre as escolhas teóricas da pesquisa e pudemos compartilhar impressões, angústias e bibliografias referenciais, uma vez que podemos inserir no mesmo contexto, as emancipações políticas de Tamarana e Queimados.
Ao final do evento, a sensação de dever cumprido, advinda das trocas oportunizadas pelo contato com pesquisas que vêm sendo desenvolvidas no âmbito do ensino de história por pesquisadores estabelecidos em diversas instituições do Brasil e América do Sul. 
Sensação do dever cumprido!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lançamento do livro "Queimados: imagens de uma cidade em construção"

Queimadenses, de nascimento ou não, lotam a quadra do
Centro Educacional Manuel Pereira à espera do
lançamento do livro "Queimados: imagens
de uma cidade em construção."
 
Nem mesmo a chuva que desabou sobre Queimados, ao fim da tarde de ontem, arrefeceu o ânimo das pessoas que encheram a quadra de esportes do Centro Educacional Manuel Pereira, depositando grande expectativa no lançamento do livro "Queimados: imagens de uma cidade em construção." Para nós, mais do que a expectativa pela publicação do primeiro livro, a emoção de um dever cumprido para com aqueles que nos apoiaram e incentivaram, nessa luta por dar voz e registro às memórias da cidade. Em Queimados, esse desafio se configurou ainda maior, dado o fato de que a cidade ainda não conta com um local específico para guarda e preservação de documentos que pudessem servir como fontes de pesquisa para a escrita da história da cidade. 
Sob essa perspectiva, nesse dia tão especial, trouxemos a público nosso primeiro livro! Ao
Então: vamos aos autógrafos!
longo de quase 200 páginas, um pouco da história local se mescla aos registros fotográficos de pessoas que fizeram e fazem essa história continuamente. Esses registros - cedidos por várias famílias queimadenses e outros tantos garimpados em arquivos públicos e privados da Baixada Fluminense e Rio de Janeiro - foram organizados em três grupos:
nossa terra, nossa gente e nossa luta. No primeiro, encontram-se fotografias que registram a passagem do tempo nos lugares da cidade. Ruas, praças, igrejas, a estação do trem... Um convite à uma viagem no tempo pela cidade que sobrevive nas memórias dos moradores mais antigos. Sob o subtítulo nossa gente, foram agrupados os registros que dão conta das práticas cotidianas que perpassam o viver em Queimados: as festas, o trabalho, o lazer, a religiosidade... Por último, o tópico nossa luta traz imagens que dizem respeito aos protestos em busca de melhorias para Queimados, incluindo-se fotografias que registraram a gênese do movimento emancipacionista.
Convidamos a todos para embarcar nessa viagem conosco e conhecer um pouco mais de nossa história!
Com o livro em mãos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lançamento do livro "Queimados - imagens de uma cidade em construção"


É com grande prazer que convidamos vocês para o lançamento do nosso tão aguardado livro "Queimados - imagens de uma cidade em construção"



O livro traz uma coletânea de fotografias, cedidas gentilmente por famílias queimadenses, que registram olhares sobre uma cidade em permanente construção: suas memórias, lugares e práticas que compõem um mosaico da Queimados de hoje e que traduzem a luta cotidiana dos queimadenses contra o esquecimento. As imagens são acompanhadas de texto que visa dar ao leitor um panorama sucinto do desenvolvimento da cidade, mesmo antes da conquista de sua emancipação política, em 1990.
Esperamos todos vocês às 19h do dia 13/12/2014, no Centro Educacional Manuel Pereira, para compartilhar conosco esse momento!

sábado, 6 de setembro de 2014

Seminário Brasileiro de História da Historiografia: pensando as interações possíveis entre memória e ensino de história na cidade

Entre os dias 18 e 21 de agosto de 2014 ocorreu, na Universidade Federal de Ouro Preto - campus Mariana, o 8º Seminário Brasileiro de História da Historiografia, cujo tema dessa edição foi "Variedades do discurso histórico: possibilidades para além do texto." O evento, mais uma vez, oportunizou os debates entre pesquisadores vinculados à diversas instituições do país, como também trouxe contribuições de fora do país, como pudemos conferir por meio das conferências e palestras proferidas pelos professores Hans-Ulrich Gumbrecht (Universidade de Stanford), Hugo Achugar (Diretoria Nacional de Cultura do Uruguai), Jens Andermann (Universidade de Zurique), Antonis Liakos (Universidade de Atenas), Berber Bevernage (Universidade de Gent), Edoardo Tortarolo (Universidade do Piemonte Orientale), Elías José Palti (Universidade Nacional de Quilmes / Universidade Nacional de Buenos Aires) e Stefan Berger (Ruhr-Universidade de Bochum).
A professora Claudia expõe suas reflexões acerca do 
estudo das memórias e possibilidades para o 
ensino de história.
Com trabalho inscrito no Simpósio Temático 16 - Cultura histórica, história local e cidades: questões para a escrita e o ensino da história, coordenado pelos professores Daniel Pinha (UERJ) e Juçara Mello (PUC-Rio), a professora Claudia Costa apresentou sua comunicação, intitulada "Memória, Patrimônio Cultural e Ensino de História: discursos possíveis sobre a cidade de Queimados", na terça-feira, dia 19. O trabalho apresentado é parte das reflexões esboçadas pela pesquisadora ao final de sua dissertação de mestrado, defendida esse ano junto ao Programa de Pós-Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. No decorrer de sua fala, a professora Claudia destacou os pontos de intersecção identificados entre as memórias queimadenses e as possibilidades de escrita da história dessa cidade, aspectos trabalhados em sua dissertação. Ao ampliar essa perspectiva, a professora Claudia também aponta o potencial educativo das memórias como forma de ampliar os recursos para uma didática da história local. Tal perspectiva alça, para o primeiro plano dos debates, a cidade enquanto espaço de investigação, onde as experiências nela vividas fazem parte de um processo educativo que extrapola os limites das salas de aula ou mesmo da escola. 
Completando esse dia de profícuos debates, as professoras Juçara Melo e Iamara Viana apresentaram os resultados parciais do trabalho implementado junto ao Instituto de Educação Carmela Dutra, em Madureira. Esse trabalho integra o projeto sobre Patrimônio Cultural e Ensino de História, coordenado pela professora Juçara Mello, através do Núcleo de Estudos em Ensino de História e Patrimônio Cultural, que pertence ao Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Esse projeto visa à integração do corpo docente e discente da referida unidade de ensino da rede estadual, promovendo reflexões sobre os significados, reconhecimento, usos e apropriações do Patrimônio Cultural do bairro de Madureira. Fechando a mesa de debates, a pesquisadora Danielle Cavalcante apresentou contribuições para o ensino de história a partir da experiência do Museu de Arte e História Rosa Faria, em Sergipe.
Professoras Iamara e Juçara 
(ambas da PUC-Rio):
projeto sobre Educação e
Patrimônio Cultural
Professoras Iamara e Juçara expõem 
 os resultados parciais, obtidos 
nas ações junto aos professores 
e alunos do I.E. Carmela Dutra.













Os demais dias de simpósio foram igualmente enriquecedores, com a apresentação de trabalhos que levaram em conta as interfaces estabelecidas entre os diversos tipos de objetos e práticas passíveis de patrimonialização e sua dimensão educativa. Por meio desses trabalhos, aguçamos nossa percepção acerca do polêmico tema da patrimonialização cultural, que vem ocupando grande espaço nos debates acadêmicos e não acadêmicos nas últimas décadas. Material ou imaterial, tangível ou intangível, percebemos que as questões que envolvem esse debate estão postas em diversos espaços: nas memórias, nos museus, nos bares, nas imagens...
Apresentação da professora
Beatriz Vieira (UERJ).
Professor Daniel Pinha (UERJ):
trabalho sobre Museu Itinerante
de Manguinhos











Professora Helena Araújo (CAp/UERJ)
aborda "A dimensão educativa do
Museu da Maré."

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Miguel Novaes: Educação Ambiental e desenvolvimento sustentável

No avançar da segunda década do século XXI, multiplicam-se os debates em torno do desenvolvimento sustentável e da criação de programas que deem conta de instituir pilares para a Educação Ambiental. As interações estabelecidas entre homem e natureza passaram a ocupar lugar de destaque no pensamento ocidental já na segunda metade do século passado, motivadas, em parte, pela emergência de movimentos culturais ligados à defesa de direitos civis, políticos e sociais. Os acelerados e inevitáveis processos de urbanização e modernização das cidades também contribuem para o aprofundamento dessas reflexões, na medida em que expõem as tensões entre progresso e degradação ambiental.
Miguel Novaes de Almeida:
diretor presidente da SANEÁGUAS.
Em sintonia com esses debates, entrevistamos hoje, Miguel Novaes de Almeida, diretor presidente da SANEÁGUAS: primeira empresa de saneamento da Baixada Fluminense e uma das quatro maiores do Estado do Rio de Janeiro, instalada e atuante em Queimados há 15 anos. Durante cerca de uma hora de entrevista, Miguel discorreu sobre suas experiências à frente dessa empresa, tecendo os fios de uma história que se interpola à sua própria trajetória de vida na cidade.
Miguel é pai da pequena Dhyulia Peluzio de Almeida, fruto de um sólido casamento de 15 anos com Dona Leila Cristina Peluzio. Ao atender a uma solicitação da família da esposa, Miguel muda-se do Rio de Janeiro para Queimados e a partir de então, trajetórias pessoal e profissional convergiriam, revelando os nexos de afetividade estabelecidos entre o nosso entrevistado e a cidade de Queimados.
Isso posto, Miguel destacou, ainda, as parcerias firmadas entre sua empresa e Prefeituras da Baixada Fluminense, sobretudo com a Prefeitura de Queimados, na realização das obras de saneamento da região. Também mereceu amplo destaque, ao longo de sua fala, o trabalho desenvolvido pela SANEÁGUAS, no âmbito da Educação Ambiental, junto à população local. Sob essa perspectiva, Miguel ressaltou a importância da conscientização popular, acerca dos impactos socioambientais do crescimento experimentado por Queimados, particularmente nas últimas décadas.
Segundo a psicóloga e educadora Isabel Cristina de Moura Carvalho: 
A Educação Ambiental fomenta sensibilidades afetivas e capacidades cognitivas para uma leitura do mundo do ponto de vista ambiental. Dessa forma, estabelece-se como mediação para múltiplas compreensões da experiência do indivíduo e dos coletivos sociais em suas relações com o ambiente (...) [A] Educação Ambiental [atua] como mediadora na construção social de novas sensibilidades e posturas éticas diante do mundo (CARVALHO, 2008)
 Miguel de Novaes no momento em que 
 ressalta a importância do incentivo a 
 ações no campo da educação e da 
 cultura.  
Em sua fala, Miguel Novaes nos permitiu entrever sua concordância com esses pressupostos. Ao afirmar que os investimentos na cultura devem ser priorizados como forma de se atingir um desenvolvimento sustentável, relacionou suas experiências nessa área com a formação adquirida na Maçonaria. Maçom desde 2003, Miguel é, hoje, presidente da Loja Maçônica Akhenaton, em Miguel Couto - Nova Iguaçu. Segundo Miguel, 

O maçom, quando ele entra [para a Maçonaria], ele entra sem preparo nenhum: ele é totalmente uma pedra bruta. Com o tempo, ele é lapidado para ser um grande homem e aí, ensinar [através do exemplo] a outros homens, como deve se comportar perante as leis de Deus (...) para chegar a ser uma pedra polida, um homem de bem... (ALMEIDA, 2014).

Ao usar o processo de lapidação como metáfora para ilustrar a importância de sua associação à Maçonaria, nosso entrevistado aponta o conhecimento como o caminho para o progresso humano. Ao apostar nesse caminho, conjugando-o à sua prática profissional, reafirmou a ideia de que “a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social” (JACOBI, 2003: 196). Pensar nisso nos convida a refletir um pouco sobre as tensões enfrentadas hoje por uma cidade que se moderniza a cada dia, mas, que no entanto, entende que cidadania é ato continuo de construção e, que sobretudo, perpassa pelo reconhecimento de suas raízes.