segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Hora da Aventura II - Parque Municipal do Morro da Torre


A Hora da Aventura: primeira
caminhada ao topo do Morro da
Torre.
Uma nova caminhada ao alto do Morro da Torre está marcada para o próximo sábado, dia 15/12.  Partindo às 15:30, do tradicional ponto de encontro na Praça N. Srª.  da Conceição, no centro de Queimados, nossa caminhada contará, dessa vez, com a presença de técnicos ambientais que irão mapear a área do morro que deverá formar o futuro Parque Municipal do Morro da Torre.  Esse é o momento de reunirmos o maior número possível de pessoas interessadas na preservação das áreas verdes que ainda restam em nossa cidade.  Nosso objetivo não é só o atendimento a uma demanda da população por uma área de lazer.  Essa é também uma luta pela necessidade urgente de vivermos em uma cidade mais saudável, legado que certamente deixaremos para nossos filhos e netos.  Contamos com a sua participação!
Vista parcial do Morro da Torre.

OBS.: O convite para mais esse encontro pela preservação do meio ambiente de Queimados encontra-se circulando pela rede, através do nosso perfil no Facebook: http://www.facebook.com/patrimonio.queimados.  Acesse nosso perfil e ajude-nos a divulgar "A Hora da Aventura II - Parque Municipal do Morro da Torre" em: http://www.facebook.com/events/376496329111744/

domingo, 11 de novembro de 2012

Maratona Cultural agita Engenheiro Pedreira, tendo como tema municípios da Baixada Fluminense


Alunos do 2º ano executam performance, lembrando
os doentes do manicômio Dr. Eiras, em Paracambi.
Os alunos da turma 81 falam um pouco sobre os distritos
de Nova Iguaçu.
Sábado, dia 10/11 foi dia de Maratona Cultural em Engenheiro Pedreira, Japeri.  A galera do Educandário Senhor do Bonfim realizou uma verdadeira gincana, unindo suas turmas do Segundo Segmento do Ensino Fundamental e também do Ensino Médio, em torno de um objetivo: conhecer e dar a conhecer um pouco mais sobre essa região, tão discriminada sob vários aspectos, que é a Baixada Fluminense.  Ao todo, foram 10 turmas abordando, cada uma, um dos 10 municípios que compõem uma das possíveis noções de Baixada Fluminense.  Essas turmas organizaram, ao redor da quadra poliesportiva do colégio, tendas ornamentadas representando os municípios de Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Queimados, Belford Roxo, Japeri, Nilópolis, Seropédica, Paracambi e São João de Meriti.  Nesses espaços, cartazes, fotografias, mapas e objetos variados lembravam um pouco da história e das características naturais dessas cidades.  Cada turma também apresentou mais um pouco da cultura local, por meio da exibição de performances no palco.
A galerinha do 1º ano executa performance, lembrando
o samba da Beija Flor de Nilópolis.
Nós, do Memória e Patrimônio Histórico de Queimados, fomos acompanhar de perto essa louvável inciativa do Educandário Senhor do Bonfim, a convite da diretora Valéria Resende e por intermédio da professora de Artes, Maria do Socorro.  A professora Maria do Socorro, queimadense que acompanha de perto nosso trabalho, participou ativamente do evento, orientando a turma 82, que ficou responsável por apresentar a cidade de Queimados na Maratona Cultural.  Ao chegarmos ao colégio, fomos convidados a participar do corpo de jurados que avaliaria as exposições.  Ficamos imensamente satisfeitos em poder participar ativamente desse momento, onde um colégio da Baixada Fluminense propõe uma atividade que leva ao conhecimento de seus alunos, as potencialidades do local onde eles nasceram e vivem, ainda que essa região seja, historicamente, muito discriminada.
Professora Maria do Socorro e aluna da 82, no stand da
cidade de Queimados.
Ao final, ficamos sabendo que, no resultado da maratona, ganhou a equipe da turma 82, que apresentou a cidade de Queimados com grande criatividade.  Parabéns aos alunos da 82 e à professora Maria do Socorro, que garantiram um passeio à cidade do Rio de Janeiro, o que será, sem dúvida, mais uma ocasião para uma enriquecedora experiência em grupo.


O Senhor Roberto, administrador do
teatro-escola de Queimados, participa
da apresentação da turma 82
Alunos da turma 82 exibe produtos que,
outrora, foram a base da economia
de Queimados.


Professor Nilson Henrique com membros do corpo docente do Educandário
Senhor do Bonfim.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sim: Queimados também tem memória e é capaz de escrever sua própria história!


"Vivemos uma era de colecionadores. Registramos e guardamos tudo (...) Existe um culto ao passado, que se expressa no consumo e mercantilização de diversas modas 'retrô' (...) No espaço público, os arquivos crescem, as datas comemorativas se multiplicam, a necessidade de placas de recordação e monumentos são permanentes. E os meios de comunicação massivos estruturam e organizam essa presença do passado em todos os âmbitos da vida contemporânea." (JELIN, 2002: 9)

De cima para baixo - Luiz Alonso, Carlos
Vilela e Josias Mattos: pessoas que
fizeram parte do movimento pró
emancipação, durante entrevistas para
o nosso projeto.
A afirmação, introduzida pela socióloga argentina Elizabeth Jelin, nos leva a pensar sobre o momento pelo qual a cidade de Queimados está passando.  Prestes a completar 22 anos de emancipação, percebemos um empenho coletivo da população queimadense em remexer em suas memórias e buscar "uma resposta ou reação, diante das mudanças rápidas e de uma vida sem âncoras ou raízes." (Idem)  Aquilo que Jelin chama de "vida sem âncoras ou raízes" se insere na perspectiva da aceleração da vida contemporânea, incômodo expresso na maioria das entrevistas concedidas a nós, por antigos queimadenses.  A chegada da modernidade, argumento muito presente nos recentes discursos sobre Queimados, traz em si, uma gama de questionamentos acerca da extensão dessa dita modernidade e seus impactos positivos e negativos sobre a cidade.  
Sem dúvida, a memória coletiva é um campo bastante instigante, a partir do qual podemos propor a escrita da história da cidade.  Nessa perspectiva, percebemos que o "incômodo" revelado pelos depoentes, coloca em choque passado e presente, da mesma forma que introduz dúvidas acerca do futuro que se deseja para si e para Queimados.  As múltiplas memórias, que tem sido compartilhadas conosco ao longo dessa pesquisa falam muito sobre a identidade queimadense, que vem sendo gradualmente forjada desde a época da emancipação.
Ao iniciarmos nossas pesquisas, nos debruçando sobre as disputas e tensões relacionadas à memória e à identidade, percebemos que a documentação pertinente aos debates que conduziram à emancipação queimadense estão dispersos em acervos particulares.  Essa constatação nos conduz a pensarmos criticamente sobre as dificuldades representadas pela quase total ausência de políticas públicas que prevejam a guarda e a preservação de tais documentos.  Observamos, com evidente preocupação, a forte possibilidade de perda sistemática desses registros, sem que se possa preservá-los adequadamente e sem que eles sejam acessíveis ao público, quase sempre desejoso de conhecer um pouco mais da sua história.
Registro de reunião da "Comissão Pró-
Emancipação de Queimados, Engenheiro
Pedreira, Japeri e Cabuçu", em 1988:
primeiro momento da luta pela
emancipação. 
Talvez esteja mais que na hora de propormos a criação de um espaço público de guarda desses "pequenos fragmentos de memória", pensando no fato de que uma cidade não se constroi só com concreto e aço, mas também com a preservação das memórias de seus cidadãos, material indispensável para a contínua operação de formação e reforço das identidades locais.  A pesquisa histórica realizada sobre esse instigante material é um desafio que assumimos há cerca de 4 anos e que está profundamente ligado à essas questões.  Acreditamos que alguns frutos desse trabalho já estão sendo colhidos, sob a forma da participação interativa dos leitores desse blog e do nosso perfil no Facebook.  Inestimável tem sido, também, a disponibilidade das pessoas que aceitaram conceder-nos entrevistas sobre suas histórias de vida e compartilhar conosco seus registros particulares, como fotografias, jornais, cartas etc.    Outros frutos desse desafio são traduzidos na forma de uma Monografia de Especialização em História do Rio de Janeiro, pela Universidade Federal Fluminense e, esperamos no próximo ano, uma Dissertação de Mestrado, a ser defendida junto ao Programa de Pós Graduação em História Política da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.  Por isso, hoje, ousamos sonhar com a criação de um Centro de Memória que possa abarcar, em toda a sua complexidade, o problema de preservação desse patrimônio histórico, antes que o mesmo se perca pela ação implacável do tempo...         
Panfletos distribuídos à população, por ocasião do segundo plebiscito
pela emancipação. Arquivo particular de Nilson Henrique.

domingo, 7 de outubro de 2012

A "Hora da Aventura" chega, enfim: subida ao Morro da Torre é um sucesso!


Pessoal reunido, concentrados para dar início à 
caminhada até o topo do Morro da Torre.
Sábado de sol a pino: Praça N.Srª. da Conceição, 14 horas.  Apesar de véspera de eleições, os queimadenses superaram possíveis divergências político partidárias e, aos poucos, foram surgindo na praça, trajando blusas verdes, como havíamos combinado.  Eram professores, alunos, queimadenses e não-queimadenses também: todos interessados em participar do movimento pela preservação das áreas verdes que ainda restam em Queimados.  O grupo se reuniu em torno de uma faixa que divulgava o evento, cortesia da Nova Design.  Também contamos com o apoio do Centro Educacional Manuel Pereira (CEMP) que, além de ampla divulgação e do comprometimento de alguns de seus alunos, forneceu também as pastas que todos os participantes receberam, contendo o resumo da história da cidade e a questão da preservação ambiental.  Enfim, munidos de informação, muita água e protetor solar, começamos nossa caminhada!
Rio Abel: alguém consegue imaginar pessoas 
nadando nesse rio, olhando pra ele hoje?
Como essa luta tinha que começar por algum lugar, elegemos o Morro da Torre, de onde temos umas das melhores vistas da cidade e de parte da Baixada Fluminense.  Assim, às 15 horas de ontem, dia 06/10/2012, iniciamos nossa caminhada rumo ao topo do morro.  No percurso até o sopé do morro, pudemos observar ainda, o estado lastimável de poluição do Rio Abel, que corta a cidade e onde, segundo relatos de antigos moradores, muitas pessoas tomavam banho e batizados eram realizados até a década de 1960.  
Encarar a subida do morro não foi fácil!  Pelo caminho pedregoso e acidentado, nossos aventureiros se esforçavam para chegar ao topo sem, no entanto, se esquecer de observar as vistas da cidade, que se descortinavam a cada curva do percurso, e atentos às observações dos professores Nilson Henrique e Rita de Cássia.  
Parte do morro arrasada pela exploração do 
quarzo azul.
Ao avistarmos a parte do morro onde profundas alterações estão sendo feitas, provavelmente em busca de jazidas de quartzo azul, paramos para refletir sobre os impactos ambientais causados pela exploração desregrada de recursos naturais e as consequências dessas ações para o município.  A partir da fala dos professores, os demais participantes puderam perceber o quanto esses impactos ambientais têm sido nocivos para fauna da região que, fugindo do desmatamento e do barulho das máquinas, vêm, frequentemente, invadir casas ou morrer às margens da rodovia.    
Professor Nilson Henrique faz observações acerca da
 história do município.
Seguindo o percurso, alcançamos a parte mais alta do morro, onde estão instaladas as torres de telecomunicações.  Nesse momento, fomos alcançados pelo pessoal do motocross, que veio dar um reforço à nossa causa.  O Morro da Torre é muito usado como palco, pela galera que curte uma aventura sobre duas rodas.    Portanto, os motociclistas também defendem a preservação desse espaço natural, fazendo dele um espaço de lazer e recreação para os queimadenses.  Ainda lá em cima, foi redigido um documento, assinado por todos os presentes, defendendo a preservação da área do morro e a criação de um mirante.
A galera do motocross que apareceu para nos dar uma força...
A galerinha do CEMP observa a
vista da cidade...
A galera que incrementou a
organização do evento, descansando
para empreender a descida!
No topo do Morro da Torre, estendemos, mais uma vez, nossa faixa!

Iniciamos nossa descida com o sol se pondo.  O entardecer sobre Queimados, visto do alto do Morro da Torre, é mesmo muito bonito.  Mais do que nunca, temos a certeza de que algo precisa ser feito para deter o desequilíbrio ambiental causado pela exploração predatória dos recursos naturais e pelo crescimento desordenado da cidade.  Estamos certos de que demos um pequeno passo nesse sentido.  Porém, esse movimento não pode parar!  Faz-se necessária uma reflexão acerca do preço do progresso que, ao mesmo tempo que nos proporciona conforto e bem estar, pode estar promovendo algum tipo de desequilíbrio em nossa cidade...

sábado, 29 de setembro de 2012

"Hora da Aventura: Morro da Torre"

Ao postarmos fotografias do Morro da Torre em nosso perfil na rede social Facebook, nossa ideia inicial era de, tão somente, defender a criação de um mirante no alto do referido morro, a fim de deter o avanço desordenado de construções irregulares sobre este terreno, lutando assim, pela preservação de uma das últimas áreas verdes da cidade.  
Morro da Torre - Queimados - RJ.
Não esperávamos tamanha repercussão, expressa pelo amplo debate que se inaugurou, a partir dos vários compartilhamentos e comentários feitos às fotos.  Dentre esses comentários, destacou-se o grupo formado por Alex Jesus, Caio Hungria e Hanna Giacometti, que sugeriu que fosse feita uma caminhada até o alto do morro, como forma de reforçar a criação desse movimento em prol da construção do mirante.  
Assim, em poucos dias e uma surpreendente adesão, foi combinada pela rede, a "Hora da Aventura: Morro da Torre": um passeio marcado para o dia 06/10, com encontro às 14h, na Praça N.Srª. da Conceição.  Nós, do Memória e Patrimônio Histórico de Queimados, adoramos a ideia e convidamos a todos - professores, alunos e demais interessados - para participar dessa "Hora da Aventura" conosco.  Aproveitando a ideia lançada por Alex, Caio e Hanna, propomos uma "aula ao ar livre", onde possamos discutir um pouco da história e da geografia da cidade, escutar histórias e, é claro, cultivar o saudável hábito da caminhada!  Os registros desse formidável encontro serão veiculados aqui no blog e terão como objetivo reforçar a ideia central do movimento, bem como divulgar imagens de nossa cidade, vista do alto: ângulo privilegiado, pelo qual podemos observar o quanto Queimados cresceu nos últimos anos e como esse crescimento é muito bem vindo, desde que respeitados os limites da preservação ambiental.       
Entardecer sobre Queimados...
Para maiores detalhes, acesse a página do evento no Facebook e deixe sua opinião: https://www.facebook.com/events/421220264608136/   Até lá!

sábado, 21 de julho de 2012

Nosso blog no Simpósio Internacional de História Pública - USP: levando um pouquinho da nossa história para além das fronteiras do Rio de Janeiro!

Professores Claudia Costa e Nilson Henrique, logo após o
credenciamento no Simpósio Internacional de História
Pública - USP.
Inscrição feita e aceita pela comissão organizadora do evento, aguardávamos com grande animação, a oportunidade de apresentar um pouquinho do nosso trabalho para a comunidade acadêmica que se reuniria em São Paulo para o Simpósio Internacional de Histórica Pública.  Esse evento, uma iniciativa pioneira no Brasil, organizada pelo Departamento de História da USP, forneceu ocasião para a discussão de um aspecto cada vez mais em evidência no âmbito da produção historiográfica: a História Pública.  
Mesa Redonda com os professores:
Marieta Moraes (UFRJ/FGV),
MaurícioParada (PUC-RJ) e Ulpiano 
Toledo (USP), mediada pela 
professora Heloísa
Barbuy (USP).
De acordo os debates ocorridos durante os cinco dias de evento, percebemos que a História Pública busca dar conta de uma crescente demanda dialética, estabelecida entre a academia e o público geral, pela socialização da produção historiográfica.  Em outras palavras, trata-se de discutir os métodos para publicizar a história, romper as barreiras impostas pelos "muros da academia" e propor maneiras de levar a história produzida lá, nas graduações e pós graduações do país, para um público mais amplo.  A proposta, no entanto, se torna mais ambiciosa, na medida em que busca estabelecer um diálogo entre academia e esse público mais amplo, no intuito de produzir iniciativas nessa área.
Mesa Redonda com os professores:
Olga  Rodrigues (UNICAMP), Juniele
Rabelo (UFF), que mediou o debate,
Ana Mauad (UFF) e Paulo Garcez
(Museu Paulista, USP). 
Assim sendo, certos de que nossa proposta de trabalho, representada pelo nosso blog Memória e Patrimônio de Queimados, vem de encontro a essa premissa, participamos dos debates e agregamos muitas novas ideias ao nosso projeto inicial.  Nesse sentido, o evento foi instigante, mais uma vez, ao trazer professores de diversas universidades do Brasil e do exterior, que trabalham com pesquisas ou iniciativas ligadas à História Pública.  Percebemos que esse é um campo de amplas possibilidades mas ainda pouco explorado pelas instituições brasileiras de pesquisa e ensino.  Ao longo da semana, foram expostos os resultados, finais ou mesmo parciais, de pesquisas e sugeridas atividades que buscavam dar conta do preenchimento dessas lacunas.
Na noite de quinta-feira, às 18:30h, começou, na Sala Caio Prado Jr.,  a Sessão Temática nº 22, intitulada "A história e seus acervos digitais."  Nela, cinco trabalhos inscritos e, entre eles, o nosso blog.  A sessão começou, com a exposição do trabalho da mediadora, a Professora Mestra Simone Silva Fernandes (CEDIC/PUC-SP).  Ao longo de sua fala, a professora Simone mostrou um pouco dos projetos desenvolvidos pelo Centro de Documentação e Informação Científica (CEDIC), entidade mantida pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).  Tais projetos visam divulgar o acervo do CEDIC por meio de mostras virtuais, bem como pensar o uso das novas tecnologias de informação e comunicação na conservação dos arquivos e na produção de conhecimento.  Para aqueles interessados nesse trabalho, deixamos aqui o link para acessar o site do CEDIC/PUC-SP:  http://www.pucsp.br/cedic/
Começa nossa apresentação...
A sessão continuou, com a apresentação da Doutoranda Marcela Fogagnoli (Fiocruz), que expôs um pouco do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Brasil Republicano - Pesquisadores em História Cultural e Política (BR-PEHCP), por meio do site http://brasilrepublicano.com.br, concebido com o patrocínio da FAPERJ e coordenado pelo professor Doutor Jorge Ferreira (UFF).  Tal espaço virtual disponibiliza farto e interessantíssimo material para professores e demais pesquisadores desse período da história brasileira.  Com uma interface acessível, o site fornece dados preciosos em uma linha do tempo, indica links e atividades didáticas, assim como mantém o leitor informado sobre os principais eventos que estão ocorrendo pelo Brasil.
Na terceira apresentação, o pesquisador Lucas Mation (IPEA) mostrou um pouco do trabalho desenvolvido  no projeto Memória Estatística do Brasil, coordenado pelo professor Eustáquio José Reis (IPEA) e que visa a recuperação, preservação e digitalização de obras sobre economia, finanças, política, administração, demografia, condições sociais e sanitárias do Brasil no século XIX e na primeira metade do século XX.  O material digitalizado pode ser acessado no site http://memoria.nemesis.org.br/.  O projeto é fruto de uma parceria firmada, inicialmente, entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro (BMF/RJ).  Porém, desde o início desse ano, conta também com a participação do Internet Archive, que tem contribuído significativamente para agilizar e otimizar o processo de digitalização e, portanto, preservação de tal acervo.
Professores Nilson Henrique e Claudia Costa expõe as principais atividades
do blog: memória e história de Queimados na rede. 
Com a ausência da quarta apresentação, encerramos a sessão, apresentando um pouquinho de Queimados. Inserida no bojo da contemporaneidade, onde tudo parece se transformar contínua e rapidamente, a criação do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados busca aproveitar a explosão constante de novos meios midiáticos, como a internet, para publicizar a história dessa cidade.  Nossa proposta visa contribuir para instituir o debate acerca das memórias e das histórias da população queimadense, bem como instigar sua maior participação política.  De tal forma, consideramos que os resultados atingidos até a presente data, por meio desse blog, e que foram expostos durante nossa participação nesse simpósio, têm atuado significativamente, para a valorização da Baixada Fluminense e para articulação das histórias local, regional e nacional, no contexto do tempo presente. Oportunamente, salientamos ainda que esse papel político e social, representado pelo blog, integra agora uma proposta mais abrangente que, esperamos, vá culminar na defesa da dissertação de mestrado da Professora Claudia Costa, sob a orientação da Professora Doutora Márcia de Almeida Gonçalves (UERJ).
Finalizando nossa apresentação,
demonstramos a página do blog.
Ao fim do evento, nos despedimos de São Paulo com a certeza de que demos um importante passo para o reconhecimento dos nossos esforços, ao mesmo tempo que percebemos o quão longo e desafiador é o caminho a ser percorrido.




Acompanhe-nos também pelo Facebook: http://www.facebook.com/patrimonio.queimados.  As demais fotos, tiradas durante nossa participação no Seminário Internacional de História Pública, estão por lá!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Resenha: “O espaço biográfico nas ciências sociais” de Leonor Arfuch*

O espaço biográfico nas ciências sociais é o sexto capítulo da obra intitulada O Espaço biográfico – dilemas da subjetividade contemporânea, de autoria da professora Leonor Arfuch e que foi publicado no Brasil pela EdUERJ, em 2010.  Arfuch é argentina, doutora em Letras pela Universidade de Buenos Aires, onde atua junto às Faculdades de Ciências Sociais e de Arquitetura, Desenho e Urbanismo e  também, especialista em Análise de Discurso e Crítica Cultural.    No referido texto, a autora destaca a importância dos “métodos biográficos”, que permitem abordagens pluridisciplinares, envolvendo áreas de saber, como a antropologia, a linguística, a etnologia, a sociologia etc.  Assim, delimita dois objetivos, que pretende atingir ao longo do capítulo:
Primeiro: analisar, comparativamente, os procedimentos empregados nas práticas dialógicas, tanto no caso das entrevistas midiáticas quanto no caso das entrevistas científicas.
Segundo: estabelecer uma base teórico-metodológica de análise, que possibilite a interpretação dos relatos de vida, para uma análise social do discurso.
Deslindando esses objetivos, Leonor Arfuch estabelece as semelhanças e as diferenças entre as entrevistas midiáticas e as entrevistas científicas.  Sobre essa questão, ela afirma que ambas modalidades de entrevistas trazem a marca da chamada “autoria conjunta”, isto é, da relação subjetiva estabelecida entre entrevistador e entrevistado.  Da mesma forma, ambas estão situadas no bojo da aceleração e expansão massiva de meios de comunicação, do crescimento das cidades, em suma: na contemporaneidade, a que remete o subtítulo da obra.   Não obstante, segundo Arfuch, as entrevistas midiáticas se constituem “um gênero em si mesmo, independente da temática que aborde e de sua possível tipologia...”, ao passo que as entrevistas científicas sempre pressuporão um estágio inicial “em direção à elaboração de um produto-outro...” (ARFUCH, 2010: 242).  O ponto de interseção entre essas duas modalidades de entrevista é demarcado pela atuação da Escola de Chicago que, no contexto do Pós Primeira Guerra, deu ênfase às abordagens socioantropológicas, que introduziram a utilização de entrevistas (a pesquisa oral, o que acaba por alçar a biografia à evidência) e, com elas, a ampliação dos métodos de pesquisa na área das Ciências Humanas e Sociais, democratizando as vozes e as narrativas do passado. 
Registro da entrevista com o Sr. Luís
Gonzaga, que participou ativamente
das lutas pela emancipação de
Queimados.
Se debruçando sobre seu segundo objetivo nesse capítulo, Leonor Arfuch propõe  a aproximação entre as Ciências Sociais e a Literatura, na medida em que as narrativas biográficas, como campo de ação da Literatura, buscam abarcar “o horizonte vivido de todas as experiências.”  Ainda assim, ela salienta que o pesquisador deve estar permanentemente consciente quanto à impossibilidade de revivificação do contexto histórico, por meio da narrativa.  Além disso, deve também investigar o contexto de produção das identidades coletivas e variáveis, evitando assim, a supervalorização das singularidades ou das exceções às regras sociais.  Dessa forma, Arfuch aposta na Análise do Discurso, levando em conta as seguintes questões:  a produção dialógica do sentido do dizer; as dificuldades da construção de um relato de vida; a análise das modalidades enunciativas, de forma que não as reduzam, nem tampouco as desestruturem; a polifonia ou confrontação de vozes e relatos simultâneos, bem como a sensibilidade para perceber, nos hiatos, esquecimentos e silêncios, indícios relevantes para acessar as memórias do entrevistado.
Fotografia tirada durante entrevista
com o Dr. Jorge Cunha, primeiro
prefeito de Queimados.
Sendo assim, ao inscrevermos nossa pesquisa sobre a emancipação da cidade de Queimados no âmbito da História Regional (noção de Baixada Fluminense como região periférica do estado do Rio de Janeiro em fins do século XX) e também da História do Tempo Presente, consideramos que as propostas de Leonor Arfuch são bastante significativas para o nosso trabalho.  Ao trabalharmos com entrevistas e abordarmos o mesmo recorte cronológico adotado por Arfuch - qual seja o da reabertura política, ocorrida após o fim das ditaduras militares tanto no Brasil quanto na Argentina - identificamos um período de ressignificação dos conceitos de democracia e cidadania, um processo que se desdobra até hoje.  No seio desse período, se desenrolaram as lutas pela conquista da autonomia queimadense frente a Nova Iguaçu.  Acreditamos que a coleta e a análise dos depoimentos de pessoas que viveram e/ou participaram desse momento da história da cidade tem muito a contribuir para uma escrita da história de Queimados.  


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ARFUCH, Leonor.  “O espaço biográfico nas ciências sociais.”  In O Espaço Biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Trad.: Paloma Vidal. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2010, pp.: 239-275.  A resenha desse texto foi apresentada sob forma de seminário, pela mestranda Claudia Patrícia de Oliveira Costa, para disciplina  Biografia e História: usos, interseções e implicações teóricas, ministrada pela Profª. Drª Márcia de Almeida Gonçalves, do PPGH-UERJ

terça-feira, 5 de junho de 2012

Nosso blog será apresentado em evento na USP!

Nosso trabalho de pesquisa e divulgação da história da cidade foi aprovado para o Seminário Internacional de História Pública, que acontecerá na USP, em São Paulo, entre os dias 16 e 20 de julho de 2012.
Essa será uma excelente oportunidade para que pesquisadores e demais interessados, conheçam a história da nossa Queimados, por meio do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados!
Quem tiver algum trabalho nessa área ou quiser se inscrever como ouvinte, ainda dá tempo!

Maiores informações, no site: http://historiapublica.com/

quinta-feira, 29 de março de 2012

Aniversário da Estrada de Ferro: aniversário de Queimados?

Inauguração da Estrada de Ferro D. Pedro II, em 29 de Março
de 1858, com a presença do Imperador D. Pedro II e a Côrte.
- Foto do Acervo RFFSA-Preserfe -
Há exatos 154 anos, era inaugurada a Estrada de Ferro D. Pedro II, ligando o interior da província à capital do Império. Seu traçado inicial, de c. 48 Km, ligava a Estação da Corte (atual Central do Brasil) e Queimados. posteriormente, ao final do mesmo ano, seria inaugurado o segundo trecho dessa ferrovia, até Japeri que, naquela época, se chamava Belém. Realizava-se, dessa forma, um ambicioso projeto que visava o escoamento rápido e econômico dos gêneros produzidos no interior da província, particularmente o café, produzido nas serras paulista, fluminense e mineira.
Contudo, como destaca Rafael Oliveira, data de 1840 o primeiro projeto prevendo a implantação de uma ferrovia ligando a Vila de Iguassu (grande matriz, da qual se originou a maioria dos municípios que hoje compõem o todo, denominado Baixada Fluminense) a qualquer ponto da baía.  Quase uma década depois, um novo projeto que, assim como o primeiro, não chegou a sair do papel, previa a ligação entre a freguesia de Santo Antônio de Jacutinga e o rio Guandu, com possibilidade da abertura de um ramal até a Vila de Iguassu.[1] 
Assim, indubitavelmente, procurava-se modernizar a região, sempre visando facilitar o transporte da produção do café, produto responsável pela dinâmica da economia brasileira durante o Segundo Reinado.  Apesar das proposições de ‘modernização’ inseridas no contexto mundial da Revolução Industrial, percebe-se um gradual processo de perda do vigor da Vila de Iguassu, balizada pela crise do café fluminense, pelo término da escravidão e pelo deslocamento do eixo de circulação, a partir da construção da Estrada de Ferro D. Pedro II.
A chegada dos trens à Baixada Fluminense acabou por sepultar de vez as localidades que haviam se desenvolvido às margens dos caminhos ou portos fluviais, outrora os principais elos entre o interior e a capital da província.  As mercadorias, agora, tinham no trem, uma nova via de escoamento mais eficaz.  Por outro lado, a inauguração da linha férrea significou o deslocamento do eixo da ocupação humana para núcleos urbanos às margens dos trilhos.  Data de 1862 a transferência da sede da Vila de Iguassu, de Cava para Maxambomba, uma das estações da nova ferrovia.
Da mesma forma, no início do século XX, houve a mudança definitiva da sede do Segundo Distrito de Nova Iguaçu, de Marapicu para Queimados, às margens da estrada de ferro.  Essa mudança está também relacionada à introdução da citricultura de exportação na região.  O cultivo das laranjas se constituiu em uma atraente alternativa ao café, que já se encontrava em decadência devido ao empobrecimento do solo e à liberação de mão de obra, causada, em parte, pela assinatura da Lei Áurea, em fins do século XIX.
Posteriormente, já na década de 1950, quando começavam a se alçar, em Queimados, as primeiras vozes descontentes com a administração iguaçuana, a implantação da ferrovia começa a ser decodificada pelo imaginário popular, como um dos símbolos do progresso experimentado pela região.  Essa apropriação se torna explícita quando do centenário da estrada de ferro, em 1958.  As comemorações foram, meticulosamente organizadas pela comunidade local - que já então, se intitulava "queimadense" - serviram como porta-vozes de discursos políticos que destacavam a importância do Segundo Distrito de Nova Iguaçu.  Talvez ainda fosse cedo para se falar de um movimento organizado e coeso, que postulasse a emancipação política do distrito.  Contudo, era inegável a existência de forte descontentamento, captado por esses festejos.
Festejos comemoram o aniversário da chegada da ferrovia
a Queimados: durante muito tempo, identificada como um
dos símbolos do progresso na região.
Os discursos forjados por essa época parecem ter se enraizado fortemente na mentalidade de boa parte da população: ainda hoje é possível, em um bate-papo informal, encontrar quem se recorde dos acontecimentos de março de 1958, como "as comemorações do aniversário de Queimados."  Entretanto, do ponto de vista histórico, podemos afirmar que mapas antigos, de um período anterior à construção da ferrovia, já davam conta da localidade denominada "Pouso de Queimados", na região onde hoje se localiza nossa cidade.  Da mesma forma, só podemos falar de "aniversário de Queimados", enquanto unidade política autônoma, a partir de 1990, com a conquista da emancipação frente a Nova Iguaçu.
Enfim: o imaginário popular e a História, parecem nem sempre andar juntos... Porém, as contribuições do primeiro para a segunda vão muito além das nossas expectativas mais imediatas...


[1] OLIVEIRA, Rafael da Silva. “O ouro e o café na região de Iguaçu: da abertura de caminhos à implantação da Estrada de Ferro.”  In: VÁRIOS. Revista Pilares da História: Duque de Caxias e Baixada Fluminense. Ano 3,  nº 4, maio/2004 – Edição conjunta: Instituto Histórico Vereador Thomé Siqueira Barreto/Câmara Municipal de Duque de Caxias e Associação dos Amigos do Instituto Histórico. – p.p: 16-17.

domingo, 25 de março de 2012

Nota de falecimento


 O Professor Cristiano Bispo, durante aula do
 Encontros & Conexões.
É com imenso pesar que recebemos, nessa semana, a notícia do falecimento do Professor Cristiano Bispo, pesquisador do NEA/UERJ que esteve conosco em um dos sábados do projeto Encontros & Conexões, ministrando aula sobre Análise Semiótica de Imagens.  O professor Cristiano desenvolvia pesquisa sobre Antiguidade Africana e era doutorando do Programa de Pós Graduação em História, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Mais que a perda de um proeminente pesquisador, sentimos também a perda de um amigo. Nossos sentimentos aos familiares...  

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma lição sobre cidadania: Djalma Cabral nos conta um pouco de sua história...

Durante a entrevista, o Sr. Djalma
compartilha conosco sua história...
Manhã de sábado, nesse abafado fevereiro. Seguimos para a residência do Sr. Djalma de Souza Cabral, a fim de reconhecermos e catalogarmos mais um pedacinho da história viva dessa cidade. Por volta das 10h da manhã, fomos recebidos pelo Sr. Djalma que, colaborando com o nosso trabalho e consciente de seu papel político, teve o cuidado de separar e nos permitir acesso a algumas fotografias que ilustram essa trajetória de luta.
Nascido no interior do estado do Pará, em 1945, o Sr. Djalma teve uma infância difícil. O pai faleceu quando ele contava apenas um ano de idade. As oportunidades eram poucas na cidade de Altamira, distante cerca de 800 Km da capital, Belém. Segundo o Sr. Djalma, ele crescia imaginando as grandes cidades, das quais sua mãe lhe falava: Fortaleza, Recife, Salvador... Aos 11 anos sua vida deu uma guinada (a primeira de muitas): a família conheceu o sertanista Francisco Meirelles, que viajava em expedição do SPI (Serviço de Proteção ao Índio, extinto em 1967, dando lugar à atual FUNAI) ao longo do Xingu. Acompanhando a expedição, o Sr. Djalma travou grande amizade com Meirelles e seu filho, José Apoena, que tinha, aproximadamente, a mesma idade que ele. Foi o sertanista Franscisco Meirelles, o responsável pela primeira vinda do Sr. Djalma ao Rio de Janeiro, nessa mesma época.
Todavia, como observou o Sr. Djalma em seu depoimento, enquanto esteve no Rio de Janeiro, entre os 11 e os 16 anos de idade, não se adaptou à cidade. Nas suas palavras, sentia-se como "um peixe fora d'água." O objetivo de estudar e se estabelecer na grande cidade ia ficando cada vez mais distante e o Sr. Djalma resolveu retornar ao Pará. De volta a sua terra, trabalhou no campo e também como seringueiro. Foi nesse período que, segundo seu relato, começou a se interessar pela questão agrária na região, tendo ingressado em um grupo jovem da Igreja Católica. A acumulação fundiária e a premência de uma Reforma Agrária já eram, então, assuntos polêmicos que desencadeavam sangrentos conflitos na região.
Sr. Djalma Cabral, junto aos
companheiros de luta na ASUFRJ.
Entretanto, mais uma vez, a vida do nosso entrevistado daria uma guinada: com o falecimento de sua mãe, o Sr. Djalma resolve, mais uma vez, tentar a vida no Rio de Janeiro. Nessa época, ele já contava 18 anos de idade. Pela segunda vez na cidade, ele relata ter tido diversos empregos: trabalhou em restaurante e lanchonete, hotel e fez até faxina em apartamentos para poder se manter. Dessa vez, procurou uma escola pública onde, à noite e com grande esforço, concluiu o que hoje compreende os Ensinos Fundamental e Médio. Em 1966, ingressou no Serviço Público Federal, atuando como Técnico em Laboratório na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse emprego o motivaria, mais tarde, a fazer o Curso Técnico em Química e assinalaria, também, o início do engajamento político do Sr. Djalma, no Rio de Janeiro. De fato, mesmo com o Brasil vivenciando o clima de medo e repressão do Regime Militar, ele fez parte da ASUFRJ (Associação de Servidores da Universidade Federal do Rio de Janeiro), que se transformaria depois no SINTUFRJ (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ).  Sobre esse período, ele narra as lutas da categoria, nos revelando um forte censo de cidadania.
Na vida pessoal, foi também nesse período que o Sr. Djalma Cabral conheceu sua esposa, a Dona Maria José. Nessa época, o custo de vida em Ipanema, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro onde moravam quando se conheceram, tornava-se cada vez mais alto e o casal, após morar em Botafogo e São Cristóvão, decidiu se mudar para Queimados. Sobre Queimados, nos idos de 1977, o Sr. Djalma diz: "era um lugar pequeno, provinciano..." Ele ainda destaca as precárias condições do antigo Segundo Distrito de Nova Iguaçu, ao lembrar que pouquíssimas ruas eram calçadas naquela época, o saneamento era praticamente inexistente e que o transporte público se restringia ao trem. Ao estabelecer sua residência no Bairro Aliança (antigo Campo da Banha), logo se evidenciou por sua atuação política à frente da Associação de Moradores, reivindicando melhorias para o bairro.
O Sr. Djalma (à direita): a experiência sindical, acumulada
durante anos de lutas, foi fundamental na organização
comunitária dos moradores do antigo bairro Campo da Banha.
Em 1985, filiou-se ao PT-Queimados, coroando essa história de intensa atividade política. Também participou da fundação da Rádio Novos Rumos, na qual chegou a estar a frente do programa Domingo Maior, e das reuniões que postulavam a necessidade de emancipação queimadense. Sobre o processo emancipacionista, o Sr. Djalma afirma que, no primeiro momento (o plebiscito frustrado, em 1988), houve um trabalho de mobilização popular sobre "o por quê emancipar?", embora ainda fosse muito controverso os limites "do que iria se emancipar?" No entanto, no segundo momento em 1990, nosso entrevistado nos fala de um trabalho mais consciente, que se pautava em limites físicos e identitários mais definidos. Da emancipação para os dias de hoje, ele acredita que a cidade vem experimentando um desenvolvimento bastante significativo, embora faça questão de salientar as "consequências", nem sempre positivas, desse crescimento...
O Sr. Djalma, entre os Srs. Carlos Albino e Ivan Calais,
candidatos a prefeito e vice-prefeito, respectivamente,
no pleito de 1996, pela coligação PT/PDT.
Ao final da manhã, nos despedimos do Sr. Djalma Cabral certos de termos conseguido trazer à tona mais uma história de vida que contribuiu para a construção da cidade de Queimados. A esse, que era nosso objetivo inicial, acrescentamos o exemplo que sua atuação política e a sua consciência de cidadania representou para o nosso trabalho. O historiador José Murilo de Carvalho afirma que "percorremos um longo caminho, 178 anos de história do esforço para construir o cidadão brasileiro. (...) Os progressos feitos são inegáveis mas foram lentos e não escondem o longo caminho que ainda falta percorrer." (CARVALHO, 2001: 219). Ao concordarmos com essa afirmativa, registramos aqui nossos sinceros agradecimentos ao Sr. Djalma por, ainda que involuntariamente, nos ter levado a uma (sempre bem vinda) reflexão sobre nosso trabalho. Acreditamos que, quanto mais consciente de sua história for a população, mais consciente ela também estará, acerca do pleno exercício de sua cidadania.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Entrevista com o Sr. Reinaldo Pimentel (in memoriam): iniciando o ano de 2012 com uma pequena homenagem

Essa entrevista foi uma das primeiras realizadas por nós, ainda no ano de 2009.  Estávamos começando nossa aventura, com passos ainda tímidos, mas com a certeza do nosso objetivo: dar voz às pessoas que participaram da construção de Queimados, ouvir suas histórias, remexer suas memórias... e tudo o mais que elas estivessem dispostas a compartilhar conosco.  Desde essa época, nosso desafio tem sido, para nós, uma experiência rica e gratificante.  Segundo a historiadora e antropóloga, Verena Alberti: "O ideal, numa situação de entrevista, é que se caminhe em direção a um diálogo informal e sincero, que permita a cumplicidade entre entrevistado e entrevistador, à medida que ambos se engajam na reconstrução, na reflexão e na interpretação do passado." (ALBERTI, 2005: 102)  Contudo, é muito difícil dimensionar, por meio de palavras, a relação que se estabelece entre entrevistador e entrevistado.  Afinal, somos estranhos, solicitando permissão para acessar um terreno do qual não fazemos parte diretamente: as memórias construídas por cada um.
Em foto recente, o Sr. Reinaldo Pimentel junto a uma de
suas grandes paixões: o radioamadorismo.
Cientes dessas dificuldades mas com grande vontade de trazer à luz, essas histórias, realizamos em julho de 2009, uma entrevista com o Sr. Reinaldo Pimentel.  Ao longo de cerca de duas horas de gravação, o Sr. Reinaldo nos relatou passagens de sua infância e juventude, vividas no, então, Segundo Distrito de Nova Iguaçu (em Cabuçu).  Segundo  nosso entrevistado, seu pai fora chacreiro, no tempo em que aquelas terras, além de fazerem parte de Nova Iguaçu, eram cobertas por extensos laranjais.  Sobre o período de apogeu da citricultura, ele destaca a presença marcante de duas importantes famílias, proprietárias de terras na região: os Modesto Leal e os Guinle.  Tal menção nos remete, imediatamente, ao trabalho de Sonali Souza, no qual a autora identifica três grupos sociais principais na Iguaçu dessa época: os grandes proprietários rurais, os arrendatários (denominados "chacreiros") e os lavradores, que trabalhavam nessas propriedades, principalmente por ocasião da colheita e beneficiamento dos frutos (SOUZA, 1992: 13).
O Sr. Reinaldo, junto a amigo,
nos tempos em que servira à Marinha
do Brasil.
Entretanto, sobreveio a Segunda Guerra Mundial e, com a paralisação do tráfego pelo Atlântico, iniciou-se a crise da citricultura iguaçuana.  O Sr. Reinaldo dá testemunho disso: ao retornar da guerra, da qual participou por servir à Marinha Brasileira, deparou-se com a família despejada das terras arrendadas, que começavam ser loteadas.  Em meio a esse contexto, nosso entrevistado destaca seu casamento com a Srª. Maria de Souza, sua prima.  Porém, havia também o sentimento de culpa, por ter deixado os pais sozinhos no Brasil e agora vê-los arruinados...  Após o casamento, foi morar em Miguel Couto.  O Sr. Reinaldo lembra que, ao retornar da guerra e se deparar com a crise que afetara duramente sua família, decidiu desligar-se da Marinha e se tornar taxista. Durante alguns anos trabalhou na Praça da Liberdade. Como taxista, atendia a muitos clientes da Loja Ritz, de Nova Iguaçu.  Observando a movimentação nas lojas, deciciu vender o carro e a autonomia e, após trabalhar por breve tempo na própria Ritz, decidiu propor negócio a um de seus sócios, e abrir uma loja de mesmo nome, fora de Nova Iguaçu.
Assim, se mudou para Queimados, onde chegou em um ano emblemático: 1958, o ano dos festejos do Centenário da Estrada de Ferro, apropriado pela população local como o "Centenário de Queimados." A importância do trem se justificava: esse era, então, o único meio de transporte público que conectava Queimados ao centro de Nova Iguaçu e, em uma perspectiva mais ampla, ao centro do Rio de Janeiro. Nessa época, poucas eram as ruas pavimentadas, a eletrificação da ferrovia e a abertura da Dutra eram fatos recentes. Essa constatação nos dá a noção do quanto a trajetória de Queimados, até a conquista da emancipação, foi longa!  Dos primeiros murmúrios de insatisfação com Nova Iguaçu, até a sucedida emancipação, em 1990, passaram-se quatro décadas!
Sr. Reinaldo, na frente da Loja Ritz, em seu
primeiro endereço, na Rua José Maria Coelho.
Contudo, para o nosso entrevistado, o ano de 1958 marcou muito mais pela inauguração de seu novo empreendimento: a Loja Ritz-Queimados, localizada inicialmente, na Rua José Maria Coelho, nº 19.  Essa rua é ainda conhecida pelos moradores mais antigos da região, como "Rua da Feirinha" por ter sido ali, durante muitos anos, o logradouro da feira de Queimados, que hoje ocorre na Avenida Tinguá.  No começo, a loja do Sr. Reinaldo atendia a consertos de aparelhos de rádio.  Aliás, no decurso da entrevista, pudemos perceber que a relação de nosso entrevistado com os aparelhos radiodifusores ia muito além do conserto dos mesmos na Ritz: o Sr. Reinaldo mostrou-nos o espaço em sua casa, onde se dedicava a uma de suas paixões, o radioamadorismo...
O tempo ia passando e a sociedade estabelecida entre os senhores Reinaldo Pimentel e Antônio Alves foi crescendo.  A Loja Ritz passou a comercializar eletrodomésticos, se tornando uma referência para os queimadenses.  Em 1964, a loja se transfere para a Avenida Elói Teixeira, do outro lado da linha férrea, acompanhando o crescimento do local.  Nessa época, abriram outra Loja Ritz, em Japeri, que ficou sob a administração do Sr. Antônio, enquanto o Sr. Reinaldo permaneceu em Queimados. 
Além dessas histórias, o Sr. Reinaldo falou também sobre a fundação da Loja Maçônica Esperança de Queimados, da qual participou, ao lado de pessoas como o Professor Joaquim de Freitas e o Sr. Virgílio Lopes.  Tal fato nos chamou a atenção, na medida que a Maçonaria desempenhou significativo papel na organização do movimento pró emancipacionista em Queimados.  Mas esse é um assunto para os próximos artigos...
O Sr. Reinaldo Pimentel faleceu em outubro de 2011.  A publicação desse artigo póstumo, contendo detalhes da entrevista concedida por ele a nós, é uma forma de homenageá-lo e reiniciar nosso trabalho nesse novo ano!  

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*Fotografias gentilmente cedidas pela Família Pimentel.